talvez se eles não quisessem antever o futuro e trazer pro presente a conversa do depois.
talvez se eles não fossem razão e um pouco coração - mas só um pouco.
talvez se tivesse havido o beijo de boa noite ao invés do tchau e até mais.
talvez se não tivesse chovendo, se não tivesse frio, se não fosse a hora errada.
talvez ele tivesse conseguido desviar do outro carro e talvez eles ainda estivessem juntos.
mas só talvez.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
quando eu era pequena.
quando eu era pequena eu queria um par de patins.
depois do par de patins eu quis uma bicicleta.
quando eu consegui a bicicleta eu desquis as rodinhas.
das rodinhas eu quis uma sandalinha rosa.
da sandalinha rosa eu quis mesmo foi uma coleção de gibi.
quando eu tive os gibis eu quis livros.
e depois de tudo isso, eu só queria ficar quietinha no meu canto.
eu, o canto e os gibis.
quando eu tive meu canto, eu quis meu computador.
e depois disso eu quis a coincidência do mesmo horário online na internet.
da coincidência virtual torcia torcia pra coincidência real.
e depois só torcia pra dar certo.
do erro eu quis meu canto de novo, e não quis mais coincidência.
mas eu quis tudo de novo,
e quando fiquei grande eu quis meu endereço pra chamar de mim.
quando consegui meu endereço, quis minha casa.
e ai quis meu canto. e as minhas coisas organizadas do que eu suponho ser a melhor-maneira-do-mundo-de-se-organizar-coisas.
depois de tanto querer, queria voltar atrás.
e querer tudo que eu quis do mesmo jeito.
sem querer nada a mais.
nem nada a menos.
depois do par de patins eu quis uma bicicleta.
quando eu consegui a bicicleta eu desquis as rodinhas.
das rodinhas eu quis uma sandalinha rosa.
da sandalinha rosa eu quis mesmo foi uma coleção de gibi.
quando eu tive os gibis eu quis livros.
e depois de tudo isso, eu só queria ficar quietinha no meu canto.
eu, o canto e os gibis.
quando eu tive meu canto, eu quis meu computador.
e depois disso eu quis a coincidência do mesmo horário online na internet.
da coincidência virtual torcia torcia pra coincidência real.
e depois só torcia pra dar certo.
do erro eu quis meu canto de novo, e não quis mais coincidência.
mas eu quis tudo de novo,
e quando fiquei grande eu quis meu endereço pra chamar de mim.
quando consegui meu endereço, quis minha casa.
e ai quis meu canto. e as minhas coisas organizadas do que eu suponho ser a melhor-maneira-do-mundo-de-se-organizar-coisas.
depois de tanto querer, queria voltar atrás.
e querer tudo que eu quis do mesmo jeito.
sem querer nada a mais.
nem nada a menos.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
mania
mania nossa de ver mais beleza na tristeza do que na alegria.
mania nossa. mania boba. mania tosca.
mania nossa. mania boba. mania tosca.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
os olhos.
ela olhou nos olhos.
eles olharam-se nos olhos.
as mãos acidentalmente se tocaram, como que por atração física literal.
não teve música, não teve sino, não teve nada tocando.
"é ele". "é ela".
soube instantaneamente, como se fosse aquilo que esperara por toda a sua vida.
- ESTAÇÃO TRIANON MASP.
ela olhou nos olhos.
eles olharam-se nos olhos.
e partiu.
eles olharam-se nos olhos.
as mãos acidentalmente se tocaram, como que por atração física literal.
não teve música, não teve sino, não teve nada tocando.
"é ele". "é ela".
soube instantaneamente, como se fosse aquilo que esperara por toda a sua vida.
- ESTAÇÃO TRIANON MASP.
ela olhou nos olhos.
eles olharam-se nos olhos.
e partiu.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
entre um e outro
ele tinha acordado com o pé esquerdo.
logo de manhã, tomou um gole de café gelado e manchou a camisa branca.
na hora de sair pra almoçar, o chefe chamou pra uma reunião que durou três horas e estabeleceu três novos prazos - sem ter cumpridos os três anteriores.
depois do salgado na esquina, ele foi ao banco pra conferir que estava negativo e que o cheque especial já tinha estourado (há mais de uma semana).
quando entrou no carro e conferiu a gasolina na reserva, teve que se contentar com o portão quebrado, e abri-lo na marra, no manual.
tudo isso já seria tão ruim se, a uma quadra do destino, quase que sem querer, não tivessem batido na traseira do seu carro novo - os plásticos continuavam no banco -, depois de uma hora e meia no trânsito.
---
ela não voltava pra sua casa fazia dois meses. dois meses sem comida de mãe, sem abraço de vó.
mal dormia pra manter o bom estudo; pra manter-se por ali com o que ganhava no dia-a-dia.
a geladeira sempre estava vazia, mas o sorriso sempre estava tão cheio de alegria que o supermercado era passeio.
o aluguel amentou; o cano do gás tinha estourado e o chuveiro não sabia o que era "verão" e o que era "inverno".
as roupas tinham dormido na sacada e sido lavadas uma segunda vez.
entre a parte da manhã e a parte da tarde, aproveitou o horário de almoço e escreveu.
escreveu as palavras mais bonitas que já tinham sido escritas, numa ordem perfeita entre carinho e sabedoria. porque ali havia sabedoria: o balanço ideal pro amor não interferir entre as linhas e desalinhar os pontos.
dorbou com carinho, colou um adesivo daqueles de caderno e partiu.
---
"onde você tava? tô aqui parado há mais de meia hora te esperando. não tem como vir mais cedo da próxima vez?"
entre rasgar e esconder, ela jogou a carta no chão e se esqueceu, quase que instantaneamente, de todas as palavras bonitas que tinha ali desenhado.
apertou o passo e não se esqueceu de colocar o cinto.
logo de manhã, tomou um gole de café gelado e manchou a camisa branca.
na hora de sair pra almoçar, o chefe chamou pra uma reunião que durou três horas e estabeleceu três novos prazos - sem ter cumpridos os três anteriores.
depois do salgado na esquina, ele foi ao banco pra conferir que estava negativo e que o cheque especial já tinha estourado (há mais de uma semana).
quando entrou no carro e conferiu a gasolina na reserva, teve que se contentar com o portão quebrado, e abri-lo na marra, no manual.
tudo isso já seria tão ruim se, a uma quadra do destino, quase que sem querer, não tivessem batido na traseira do seu carro novo - os plásticos continuavam no banco -, depois de uma hora e meia no trânsito.
---
ela não voltava pra sua casa fazia dois meses. dois meses sem comida de mãe, sem abraço de vó.
mal dormia pra manter o bom estudo; pra manter-se por ali com o que ganhava no dia-a-dia.
a geladeira sempre estava vazia, mas o sorriso sempre estava tão cheio de alegria que o supermercado era passeio.
o aluguel amentou; o cano do gás tinha estourado e o chuveiro não sabia o que era "verão" e o que era "inverno".
as roupas tinham dormido na sacada e sido lavadas uma segunda vez.
entre a parte da manhã e a parte da tarde, aproveitou o horário de almoço e escreveu.
escreveu as palavras mais bonitas que já tinham sido escritas, numa ordem perfeita entre carinho e sabedoria. porque ali havia sabedoria: o balanço ideal pro amor não interferir entre as linhas e desalinhar os pontos.
dorbou com carinho, colou um adesivo daqueles de caderno e partiu.
---
"onde você tava? tô aqui parado há mais de meia hora te esperando. não tem como vir mais cedo da próxima vez?"
entre rasgar e esconder, ela jogou a carta no chão e se esqueceu, quase que instantaneamente, de todas as palavras bonitas que tinha ali desenhado.
apertou o passo e não se esqueceu de colocar o cinto.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Lugar-comum
Eu só queria sair de um lugar, não necessariamente aquele lugar.
E ir pra algum outro lugar novo, com tudo novo, inclusive eu.
Hoje, não volto. Pra lugar nenhum.
E ir pra algum outro lugar novo, com tudo novo, inclusive eu.
Hoje, não volto. Pra lugar nenhum.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
coração de mãe
eu queria porque queria um ipod. e bem grande, pra caber tudo que eu quisesse. (como eu sou quidona!)
e lá fui eu. um ipod bem grande: 30 G. e eu nem tinha noção do que era isso.
acontece que, agora, como eu tenho espaço (agora eu tenho noção!) eu quero ver tudo, ler tudo, digerir tudo e... guardar no ipod. meu baú de riquezinhas tecnológicas.
(acredite: eu me imagino aos 90, ouvindo esse mesmo ipodzinho branco. mesmo um amigo tendo me falado que um ipod dura SÓ 5 anos).
acho que a gente devia ser assim, sabia?
louco por tudo. louco por som, voz, toque, carinho, sentimento, acontecimento. casos e acasos.
e ir guardando tudo... fazendo de nós mesmos nossos bauzinhos da riqueza.
com uma vantagem enorme: a nossa capacidade não tem G na frente. não tem o que barre ou onde esbarre.
a nossa capacidade é infinita.
e lá fui eu. um ipod bem grande: 30 G. e eu nem tinha noção do que era isso.
acontece que, agora, como eu tenho espaço (agora eu tenho noção!) eu quero ver tudo, ler tudo, digerir tudo e... guardar no ipod. meu baú de riquezinhas tecnológicas.
(acredite: eu me imagino aos 90, ouvindo esse mesmo ipodzinho branco. mesmo um amigo tendo me falado que um ipod dura SÓ 5 anos).
acho que a gente devia ser assim, sabia?
louco por tudo. louco por som, voz, toque, carinho, sentimento, acontecimento. casos e acasos.
e ir guardando tudo... fazendo de nós mesmos nossos bauzinhos da riqueza.
com uma vantagem enorme: a nossa capacidade não tem G na frente. não tem o que barre ou onde esbarre.
a nossa capacidade é infinita.
gente bonita
tem cada gente bonita nesse mundo...
gente bonita que faz amor de longe parecer amor de dia-a-dia.
gente bonita que escreve e parece que cada palavra sorri.
é gente tão, mas tão bonita... que dá vontade de ter alguém pra contar que existe gente bonita assim.
gente bonita que faz amor de longe parecer amor de dia-a-dia.
gente bonita que escreve e parece que cada palavra sorri.
é gente tão, mas tão bonita... que dá vontade de ter alguém pra contar que existe gente bonita assim.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
mas o que me trouxe até aqui foi...

fone no ouvido, volume no último e tudo focado praquela nota que aperta o coração na segunda estrofe daquele refrão.
gostoso, gostoso mesmo é coisa assim: que te liberta e te faz querer ir dormir agarrado.
dá vontade de desligar tudo com o olho fechado e ir correndo pra cama se cobrir, pra ver se ela fica ali, ecoando e voando por dentro até que grude e fique.
engraçado que a gente tem essa vontade louca de prender o que liberta.
(e pra quem quer saber, a dica é Beirut.)
Tuíter

Alguém por aí disse que com o Twitter, os blogueiros chinfrins sumiriam.
Mas o fato de, às vezes, me expressar superficialmente em 140 letrinhas não me satisfaz.
Eu gosto de palavra corrida, de escrita que parece rio e não pára em nenhuma curva.
Não leio não apago não repico - tudo assim, corrido corrido, querendo chegar logo ao seu lugar.
E eu voltei pra ver se tinha comentário e fui obrigada a alterar as configurações: agora, eu recebo cada recado novo no email.
Porque ser lida também é uma maneira de escrever.
E escrever com carinho é cachoeira.
(e pra quem quiser, @ninafranco)
quarta-feira, 29 de abril de 2009
sábado, 25 de abril de 2009
corrigindo

somos responsáveis pelo que cativamos ou pelo que seduzimos?
a definição pouco importa.
o que importa é que somos responsáveis por cada ação que afeta diretamente ou indiretamente qualquer outra pessoa.
você sorri, é responsável pelo sorriso;
você fala, e é inteiramente responsável pelas suas palavras.
quando a gente vai embora (pra onde?),
tudo fica.
a gente vai,
mas as palavras, os sorriso, os olhares, as ações... são representações.
mas também nossa responsabilidade.
quanta injustiça ter que chorar porque quem falava que eu tinha uma risada gostosa se foi.
terça-feira, 14 de abril de 2009
tu te tornas o quê?

vez ou outra vejo por ai o "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".
ledo engano.
não, tu não te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
cativar é passivo, é consequência, é desdobramento.
é atrair sem querer;
é se prender sem notar.
tu te tornas, na verdade, responsável por aquilo que seduzes.
quinta-feira, 19 de março de 2009
gente grande

tem dia que tenho tanto pra falar, tanto que eu penso e repenso em escrever;
tanto que eu quero discorrer e correr com.
mas é tanta coisa que vira catarse reversa.
me calo e ponho tudo pra dentro. pra me achar, me descobrir e me cobrir de mim mesma.
e hoje, ao pensar em escrever, fui digitar o endereço do blog e saiu algo como www.mulh....
acho que é isso.
a gente vai se descobrindo mulher.
porque até a menina (criança) dentro da gente, sabe que tem hora que tem que ser gente grande.
e ai, meu amigo, é com a gente mesmo.
domingo, 8 de março de 2009
Verbo transitivo direto
uma das minhas frases preferidas foi proferida pela Marilia Gabriela e dizia assim:
"sou muito coerente; as pessoas que amo, amo pra sempre".
em uma brincadeira de perguntas e respostas com amigos a minha resposta pra pergunta AMOR foi um dos meus livros preferidos, aquele famoso "amar, verbo intransitivo".
gosto muito de pensar no verbo amar como sendo instransitivo.
acho justo e simples; porque nada melhor do que simplicidade para explicar alguma coisa tão complexa.
o verbo amar é sinestésico e não há como falar sem sentir.
se amar aceitasse qualquer tipo de complemento, talvez o único plausível fosse PARA SEMPRE.
"sou muito coerente; as pessoas que amo, amo pra sempre".
em uma brincadeira de perguntas e respostas com amigos a minha resposta pra pergunta AMOR foi um dos meus livros preferidos, aquele famoso "amar, verbo intransitivo".
gosto muito de pensar no verbo amar como sendo instransitivo.
acho justo e simples; porque nada melhor do que simplicidade para explicar alguma coisa tão complexa.
o verbo amar é sinestésico e não há como falar sem sentir.
se amar aceitasse qualquer tipo de complemento, talvez o único plausível fosse PARA SEMPRE.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Encontros III
uma graça! em todos os aspectos.
procurei maiores informações sobre o cantor, mas, pelo visto, ainda no myspace.
grava um cd logo, grava!
http://www.youtube.com/watch?v=2_HXUhShhmY&eurl=http://www.orkut.com.br/FavoriteVideos.aspx?uid=2357119444356985943
fonte: parafrancisco.blogspot.com
procurei maiores informações sobre o cantor, mas, pelo visto, ainda no myspace.
grava um cd logo, grava!
http://www.youtube.com/watch?v=2_HXUhShhmY&eurl=http://www.orkut.com.br/FavoriteVideos.aspx?uid=2357119444356985943
fonte: parafrancisco.blogspot.com
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Encontros II
depois do posto sobre encontros, nada me felicita mais do que compartilhar os bons encontros que ando tendo.
e nessa internet, tudo que se compartilha com carinho e se faz bem feito, dá!
http://www.youtube.com/watch?v=NQ78WHpGZ1o&NR=1
(vai o link pois não sei por o vídeo aqui!)
e nessa internet, tudo que se compartilha com carinho e se faz bem feito, dá!
http://www.youtube.com/watch?v=NQ78WHpGZ1o&NR=1
(vai o link pois não sei por o vídeo aqui!)
Encontros...

conheci Daniel Lins numa noite de insônia combinada com o controle remoto nas mãos.
Daniel Lins, filósofo e poeta, discorria sobre a felicidade no programa Café Filosófico da TV Cultura.
a maneira simples e descontraída de abordar temas e pensadores complexos e difíceis de serem estudados me fez redobrar a insônia - uma vez que, com um turbilhão de pensamentos na cabeça, não consigo pôr em prática a minha meditação tibetana.
tentando transcrever as suas palavras, eis aqui o que gostaria de compartilhar:
"para Spinoza o
BEM é definido como o BOM ENCONTRO,
e o MAL nada mais é que o MAU ENCONTRO."
fica a reflexão, a dica do(s) filósofo(s) e, por que não, da filosofia - de vida!
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