quarta-feira, 13 de janeiro de 2010


recomeçar é preciso. viver não é preciso.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

talvez

talvez se eles não quisessem antever o futuro e trazer pro presente a conversa do depois.

talvez se eles não fossem razão e um pouco coração - mas só um pouco.

talvez se tivesse havido o beijo de boa noite ao invés do tchau e até mais.

talvez se não tivesse chovendo, se não tivesse frio, se não fosse a hora errada.

talvez ele tivesse conseguido desviar do outro carro e talvez eles ainda estivessem juntos.

mas só talvez.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

quando eu era pequena.

quando eu era pequena eu queria um par de patins.
depois do par de patins eu quis uma bicicleta.
quando eu consegui a bicicleta eu desquis as rodinhas.

das rodinhas eu quis uma sandalinha rosa.
da sandalinha rosa eu quis mesmo foi uma coleção de gibi.
quando eu tive os gibis eu quis livros.
e depois de tudo isso, eu só queria ficar quietinha no meu canto.
eu, o canto e os gibis.

quando eu tive meu canto, eu quis meu computador.
e depois disso eu quis a coincidência do mesmo horário online na internet.
da coincidência virtual torcia torcia pra coincidência real.

e depois só torcia pra dar certo.
do erro eu quis meu canto de novo, e não quis mais coincidência.
mas eu quis tudo de novo,
e quando fiquei grande eu quis meu endereço pra chamar de mim.

quando consegui meu endereço, quis minha casa.
e ai quis meu canto. e as minhas coisas organizadas do que eu suponho ser a melhor-maneira-do-mundo-de-se-organizar-coisas.

depois de tanto querer, queria voltar atrás.
e querer tudo que eu quis do mesmo jeito.
sem querer nada a mais.
nem nada a menos.

terça-feira, 27 de outubro de 2009


what if all your dreams came true?

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

mania

mania nossa de ver mais beleza na tristeza do que na alegria.

mania nossa. mania boba. mania tosca.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

os olhos.

ela olhou nos olhos.
eles olharam-se nos olhos.


as mãos acidentalmente se tocaram, como que por atração física literal.
não teve música, não teve sino, não teve nada tocando.
"é ele". "é ela".
soube instantaneamente, como se fosse aquilo que esperara por toda a sua vida.


- ESTAÇÃO TRIANON MASP.


ela olhou nos olhos.
eles olharam-se nos olhos.
e partiu.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

entre um e outro

ele tinha acordado com o pé esquerdo.
logo de manhã, tomou um gole de café gelado e manchou a camisa branca.
na hora de sair pra almoçar, o chefe chamou pra uma reunião que durou três horas e estabeleceu três novos prazos - sem ter cumpridos os três anteriores.
depois do salgado na esquina, ele foi ao banco pra conferir que estava negativo e que o cheque especial já tinha estourado (há mais de uma semana).

quando entrou no carro e conferiu a gasolina na reserva, teve que se contentar com o portão quebrado, e abri-lo na marra, no manual.
tudo isso já seria tão ruim se, a uma quadra do destino, quase que sem querer, não tivessem batido na traseira do seu carro novo - os plásticos continuavam no banco -, depois de uma hora e meia no trânsito.

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ela não voltava pra sua casa fazia dois meses. dois meses sem comida de mãe, sem abraço de vó.
mal dormia pra manter o bom estudo; pra manter-se por ali com o que ganhava no dia-a-dia.
a geladeira sempre estava vazia, mas o sorriso sempre estava tão cheio de alegria que o supermercado era passeio.
o aluguel amentou; o cano do gás tinha estourado e o chuveiro não sabia o que era "verão" e o que era "inverno".

as roupas tinham dormido na sacada e sido lavadas uma segunda vez.
entre a parte da manhã e a parte da tarde, aproveitou o horário de almoço e escreveu.
escreveu as palavras mais bonitas que já tinham sido escritas, numa ordem perfeita entre carinho e sabedoria. porque ali havia sabedoria: o balanço ideal pro amor não interferir entre as linhas e desalinhar os pontos.

dorbou com carinho, colou um adesivo daqueles de caderno e partiu.

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"onde você tava? tô aqui parado há mais de meia hora te esperando. não tem como vir mais cedo da próxima vez?"

entre rasgar e esconder, ela jogou a carta no chão e se esqueceu, quase que instantaneamente, de todas as palavras bonitas que tinha ali desenhado.
apertou o passo e não se esqueceu de colocar o cinto.