quinta-feira, 28 de julho de 2011

é muita saudade pra um coração só.

é muito amor pra uma pessoinha tão pequenininha que eu vi aprender a falar.
que eu vi deixar a fralda. e eu tava lá nesse dia, ô se tava.

é muito amor
pruma toquinho de um metro que eu marquei na parede, mês por mês, o quanto crescia.

vi ter sarampo, vi ter refluxo.
vi bater um prato atrás do outro, e vi fazer manha porque não queria comer.

vi dormir de noite e vi dormir de dia, a pequena.
vi e vi e vi e vi e vi a era do gelo e avatar. sei lá quantas vezes. seguidas.

parei de comprar roupas pra mim e só comprava roupa pra ela.
parei de comprar cerveja e comprava kinder ovo.

é muito amor pra um coração só.
é muita, muita muita saudade pra uma pessoinha assim.

eu tava lá quando ela largou as fraldas, quando ela aprendeu a pular.
mas eu já não estava lá quando ela deixou de usar chupeta.
e pior, eu não estava lá quando ela perguntou se eu não seria mais a sua "mamãe".

domingo, 24 de julho de 2011

A princesa e a ervilha

há uma fábula infantil que conta a história de uma princesa que não sabia que era princesa. pra descobrirem se ela era mesmo a princesa, colocaram uma ervilha embaixo de 10 colchões nos quais ela ia dormir.

se ela sentisse a ervilha, era princesa. se não reparasse, era uma mulher comum. apenas uma mulher comum.


no mundo, existem dois tipos de mulheres. as princesas e as comuns; as que se incomodam com a ervilha e as que dormem bem anyway.

a única diferença entre elas, o único detalhe que faz com que haja princesas e não princesas, é se incomodar com as ervilhas da vida, independente de quantos colchões hajam por cima.

falta de educação, é uma ervilha.
falta de consideração, outra.
gente pedante, ervilha.
falsidade, outra ervilha.
indelicadeza, impaciência, incoerência, mau humor, irresponsabilidade. todos... ervilhas.

as mulheres comuns se acostumam, se sossegam assim - como melhor lhes convêm. acham desculpas para não sentir as ervilhas, ou não as sentem mesmo. Acreditam que um dia a ervilha vai murchar, ou que é só uma falha da madeira. não há o que ser feito. conformam-se (outra ervilha).

e não estão erradas porque, oras, são apenas comuns. e ervilhas.

as outras, no entanto, não se conformam. não importam quantos colchões, elas simplesmente sentem a ervilha. e não se conformam.

esperam (esperam no sentido de ter esperanças) por que sabem que são diferentes.

afinal, existem dois tipos de mulheres.
e elas, definitivamente, são as princesas - e pra elas, qualquer ervilha incomoda.

sábado, 23 de julho de 2011

Entre a notícia de que eu vou ter que desembolsar uma grana preta no conserto da minha porta e o almoço, eu fui dar um cochilo.

Meio dormindo ouvi sobre a morte de Amy Winehouse. E quando acordei não quis acreditar, pensando ser um desses sonhos doidos que eu tenho, que parecem tão reais que eu não sei se foi verdade ou se foi sonho.

Era verdade. Amy Winehouse, que tem álcool até no nome, morreu aos 27 anos em Londes, UK.

Acontece que assim como Amy, outros tantos talentos se foram aos 27 anos. Hendrix e Joplin também se fartaram de ficar por aqui, anunciando lentamente a sua auto-degradação - e foram se degradar pra lá.


Amy vai num fluxo previsível. Anunciado. Esperado.
E talvez isso seja o mais triste...

Esse jovens talentos Foram cedo, mas marcaram tanto.
Marcaram tanto que se tornaram imortais.

A gente tentou levar a Amy pra rehab.
But she said no, no, no.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

campeã mundial em quebrar o coração de bons rapazes.

bi-campeã universal de se apaixonar pelos caras ridículos.
hoje eu fui pra área externa do bar atender uma ligaçao e fiquei observando as pessoas por ali.

em sua maioria mulheres, choramingando ligações nunca recebidas.
promessas nunca cumpridas, desejos não realizados.

em sua maestria esplêndida eles, os homens.
e tão sempre amaldiçoados.

ele não ligou, ele não me quer, ele me enrolou, ele disse aquilo ou ele deixou de ser isso.

tudo me remetendo a uma crônica que li há muito tempo, que dizia mais ou menos assim:

sofremos tanto, queimamos sutiãs em praça pública, fizemos marcha pela liberdade sexual, nos rebelamos, nos encontramos, galgamos cargos altos, salários maiores ainda... e ainda assim, depois de tudo isso, queremos ser a mulherzinha do lar.

o meu intuito é o trabalho, o conselho do amigo é desencanar.

engata que primeira que tudo vai.
mas nunca se esqueça de quem ficou com os peitos de fora para que tivessemos a liberdade que temos hoje.

terça-feira, 19 de julho de 2011

eu sei que não é pra ser agora,
que não é pra já,
que nem seja ele.

mas às vezes a gente quer tanto uma coisa
que fica cega pra tudo o que deveria não querer.
hoje bateram no meu carro e por isso o texto é bem literal.

bateram assim, de lado, e eu fiquei vendo meio que em câmera lenta o carro vir.
e enxerguei ele parar mas ele nao parou.

eu parei, olhei pra frente e desci do carro.
tão serena que eu achei que era sonho.
auto controlada que só, sem saber quem estava certo quem estava errado, só a fim de resolver a situação porque de dores de cabeças já me bastam as enxaquecas diárias.

eu acho que eu tava errada porque afinal de contas eu tava na esquerda dando sinal com a seta e com o braço do meu carona, explicitando de todas as maneiras possíveis que eu precisa ir pra direita.
e eis uma coisa que me incomoda muito no trânsito, ainda mais no trânsito mal educado de Curitiba:
eu só dou seta po um único e only motivo: PRECISO IR PRAQUELE OU PRA ESTE LADO. você não me deixar passar só vai afetar o trânsito atrás de mim, e, em algum momento, alguém vai ter que me deixar passar porque imagine só ficar parada mais de 10 horas esperando alguém te dar passagem.

enfim.
dei meu telefone igual malandro: sei que ele não vai ligar porque o carro velho dele amassou o meu carro.

e é aí que eu não sei qual é o melhor pensamento pra fechar essa catarse.

não tô nem ai de quem foi a culpa. eu pago, eu conserto eu fico aqui na minha.

sei que eu tô pagando pela minha serenidade.
e também pelo conserto do carro.