quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
A saudade.
Me disseram que dia 30 de janeiro é dia da saudade.
Fiquei quieta, espreitando as mensagens, as imagens e as postagens.
Mas ora, pensei. Dia da saudade é todo dia.
Coração que tem saudade não tem calendário, muito menos agenda com hora marcada.
Recado de saudade não acontece pelo dia no ano, um dia no ano. Choro de saudade, idem.
Saudade é o que fica dos que foram.
É amor, cor, cheiro, pedacinho de alguém, de alguma coisa.
Saudade é certeza de ter acontecido, e é o combustível do coração para o que ele quer que aconteça, de novo.
Saudade é beleza - de amor, de amizade, de cumplicidade. De palavra amiga, de colo quente, de amor novo.
É falta de uma parte que, mesmo com a distância e com o tempo, está amarrado em cada um de nós, através de uma linha invisível. Nunca se deixa soltar, nunca se arrebenta.
Saudade é o que foi dito, e é também o que não foi dito. Não consegui. Não tive coragem. Quase morri (de saudade) sufocada pelas palavras que não foram ditas.
Saudade é muita. Saudade transborda. E transborda tanto que ora é chora, ora é riso.
Saudade é ter tudo no peito, e não ter nada nas mãos.
Saudade é ter tudo, e saudade é não ter nada.
Saudade é ter tudo e nada, e mesmo assim, nem um só dia no calendário.
Saudade, dizem, mata.
Estou morta de saudade, e assim me sinto viva.
E que saudade de sentir saudade.
E que saudade.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Sopro de alegria.
Tem gente que é um sopro de alegria.
Tem gente que, pra mim, é um sopro de
alegria.
Sopro de vento frio, de brisa leve, que quando bate no rosto nos dias
mais quentes do ano te faz fechar os olhos e sorrir levemente – te faz vivo, te
faz atento, te faz sentir.
É aquela fisgada inconsciente que te tira do chão,
por frações de segundos, e que te marca por dias, semanas, ou talvez uma vida
inteira.
Esses sopros de alegria, esses pequenos gestos sem origem e sem
direção, são uma dessas coisas que podem passar despercebido porque o calor te
deixa irritado, a multidão fala muito alto ou a conta pra pagar está vencida.
Mas quando se faz do sopro bem vindo, ele tem o poder de contagiar, e se alojar no rosto, por um instante qualquer,
pode se tornar ventania, tufão, furacão... Mudar a sua vida, e talvez a dos
outros também.
O sopro,
pra mim, foi alguém. Mas pra todos nós podem ser várias outras coisas.
Um sopro
pode vir em formato de tragédia, de renascimento, de promessa...
E então, um sopro é tudo aquilo que de alguma maneira te
atinge e te coloca de cabeça para baixo.
No final de tudo – ou no começo de tudo? - o que importa é que ao aceitar o afagar do vento nos cabelos, tudo pode se transformar.
domingo, 6 de janeiro de 2013
Let the impossible happen
Voltar a escrever não estava nas minhas resoluções de Ano Novo. E muito disso, talvez, porque como comentei com uma amiga "o mundo (corporativo, real, individual) tem me deixado mais dura. Sim, mais dura, no nível de responder mensagem com 'ok' e 'falamos'.
O que mudaria isso, e já era de se esperar que fosse algo desse tipo, foi o primeiro filme de 2013.
O Impossível aconteceu e o filme me tocou de uma maneira extraordinária.
Saí do cinema com dois conhecidos rindo, achando que era hollywoodiano demais. E eu saí perplexa, por acredita que aquela foi e ainda é a história de uma das maiores tragédias mundiais. Mais: o que vimos ali, retratado de um jeito hollywoodiano ou não, é somente uma das muitas histórias que foram arrastadas com aquela onda gigante em 26 de dezembro de 2004.
Mais do que a história em si (sem sinopses, porque ainda acredito que esse é o tipo de filme que todo mundo deveria ver, pelo menos uma vez na vida - só pra ticar da lista), o drama ou toda a aflição do trama da história, fica muito claro a fragilidade humana - perante a natureza, o incerto, a incapacidade, a limitação.
Somo tudo, até que não somos nada. E quando não somos nada, não hé cor, religião, língua, instrução, dinheiro ou poder que consegue permear qualquer tipo de emoção, sentimento ou ligação.
É no grau primário de existência, onde somos apenas ser, que somos todos iguais, que sofremos iguais e nos enxergamos dessa maneira - pois assim somos, e somente assim nos resta ser.
Esse é mais um daqueles filmes que nos faz repensar trabalho, relacionamentos, distâncias, desamores e sentimentos... Repensar o que somos e o que fazemos, o que temos e o que queremos, e como isso, de fato, interfere em quem nós somos intimamente, no mais primário grau de existência.
Até porque, independente dos efeitos especiais e do drama exasperado, todos somos.
E para ser, não basta existir. É preciso composição, diária, de uma essência que transcede o grau primário e nos eleva aos outros níveis de existência.
O que compõe cada uma das existências, no entanto, é simplesmente o que acreditamos, e, portanto, tomamos para si.
Seja essa crença possível ou impossível, que 2013 (ad infinitum) seja, para todos nós, um novo ano de crenças. Mais puras, mais solidárias e mais humanas.
Let the impossible happen.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Paramos.
Perder alguém dói. Ver alguém próximo morrer, dói. Acabar um relacionamento, brigar com o melhor amigo, sentir saudade... tudo isso dói. Mas nada dói mais do que deixar de acreditar em si mesmo.
Nada dói mais do que ser descrente do que se é, e, mais ainda, do que se pode ser.
Dói saber que o que tenha que acontecer não vai acontecer porque faltou acreditar.
Não faltou dinheiro, não faltou tempo, não faltou ninguém. Faltou sentir que acreditar era possível.
Parece compulsório e gradual parar de acreditar.
Paramos de acreditar em papai noel, em coelhinho da páscoa. Depois, na primeira dor, paramos de acreditar no amor. Paramos de acreditar nos políticos, na igualdade social, na paz mundial. Paramos de acreditar até mesmo em Deus - meu Deus, onde você está agora que eu mais preciso de você?
Paramos de acreditar nos nossos sonhos! E na capacidade de transformá-los em realidade. Que pecado. Paramos de acreditar em pecado - libertas quae sera tamem. Paramos de acreditar que liberdade tem limite - veja só.
Paramos de acreditar.
E no desacreditar de cada dia, paramos de acreditar em nós.
Paramos de acreditar que alguma coisa vai acontecer em nós, conosco.
E quando paramos de acreditar em nós mesmos, paramos de sentir, interrompemos qualquer fluxo futuro do que poderia ser, poderia acontecer, poderia creditar.
Paramos,
simplesmente paramos.
Nada dói mais do que ser descrente do que se é, e, mais ainda, do que se pode ser.
Dói saber que o que tenha que acontecer não vai acontecer porque faltou acreditar.
Não faltou dinheiro, não faltou tempo, não faltou ninguém. Faltou sentir que acreditar era possível.
Parece compulsório e gradual parar de acreditar.
Paramos de acreditar em papai noel, em coelhinho da páscoa. Depois, na primeira dor, paramos de acreditar no amor. Paramos de acreditar nos políticos, na igualdade social, na paz mundial. Paramos de acreditar até mesmo em Deus - meu Deus, onde você está agora que eu mais preciso de você?
Paramos de acreditar nos nossos sonhos! E na capacidade de transformá-los em realidade. Que pecado. Paramos de acreditar em pecado - libertas quae sera tamem. Paramos de acreditar que liberdade tem limite - veja só.
Paramos de acreditar.
E no desacreditar de cada dia, paramos de acreditar em nós.
Paramos de acreditar que alguma coisa vai acontecer em nós, conosco.
E quando paramos de acreditar em nós mesmos, paramos de sentir, interrompemos qualquer fluxo futuro do que poderia ser, poderia acontecer, poderia creditar.
Paramos,
simplesmente paramos.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Os filmes de janeiro
Semana retrasada avistei no cinema 9 filmes que eu queria ver. Como nem só de filme vive o homem (e como nem só de ingresso de cinema se faz a minha despesa mensal), consegui ver 4 - só nas últimas duas semanas. Vamos a eles?
Os Descendentes
Tô adorando essa onda reversa do cinema. Já tinha sentido isso com o Tom Hanks em Larry Crowne e agora com George Clooney em Descendentes. Grandes atores fazendo filmes menos comerciais, mais sensíveis e low-profile. Fui pra sessão sabendo mais ou menos o que esperar porque o trailler é daqueles que dá a história pra você saber o desenrolar. Mas mesmo assim fiquei muito surpresa
O ritmo da história é uma delícia, e as paisagens também. Mesmo assim, sem ter grandes cenários montados, figurinos elaborados ou uma trama extremamente meticulosa, o filme é lindo e encanta. Como eu disse no twitter, Os Descendentes não é um filme sobre amor, nem família, nem traição, nem casamento. É um filme sobre como a vida deve seguir em frente.
Com pitadas de humor e muita leveza, Gerogey Clooney faz o que eu acredito ser a primeira interpretação não-sexy ou galã dele, abrindo todo o palco pra atuação das suas "filhas" no filme, Shailene Woodley, a mais velha, que, particularmente acho, vai ser a nova atriz adolescente dramática de Hollywood com uma atuaçao delicada e muito profunda; e também pra Amara Miller, que interpreta a filha mais nova, e que tem tudo pra ser a nova Little Miss Sunshine, com tiradas e entradas nos diálogos das cenas de fazer rir e se simpatizar com a menina.
Não sei se é um filme pra vencer o Oscar. Mas é um filme pra ver a vida, e isso vale mais.
Um Dia
Não vou falar muito de Um Dia porque eu me decepcionei e aqui cabe uma ressalva muito rápida: é um filme ma-ra-vi-lho-so, com Anne Hathaway falando um inglês britânico fofo e o Jim Sturgess aquecendo o coração de todas nós, mulheres apaixonadas por um inglesinho.
Acontece que eu não tava PREPARADA para o final do filme. Fui esperando uma coisa pelo trailer e me decepcionei, fiquei puta, queria levantar e falar "Pára tudo! Cadê o procon? Volta ai e faz de novo pelo amooooor de Deus.".

Mas como um todo, é um filme muito bom e bastante passional. Durante o filme dá tempo de ficar com dó da Emma (Anne), com raiva do Dexter (Jim), com pena dele e com nervoso dela. A narrativa é interessante mas preferia alguma coisa com um ritmo mais intenso, ao invés de pontual - como é. Cenários lindos (Inglaterra), fotografia delicada e romântica, diálogos de amigos que desde o começo você vai saber que ficarão juntos um dia. Enfim, turbilhão de emoções e minha cena preferida ficou por conta desse lindo ai gritando pra uns ladrões de roupa "isso não é um tênis, é um mocassim!".
Esse filme é sim sobre amor, sobre a família, sobre as nossas escolhas e, também, sobre como a vida deve seguir em frente e como isso só depende de nós. Vale a pena, mas vá preparado porque tudo pode acontecer.
O Espião que Sabia Demais
Um bom filme, mas que poderia ser cortado e publicado somente os 50 minutos finais. E ai eu pergunto: um filme que pode ser cortado e publicado somente com os 50 minutos finais é um bom filme? Trama lenta, extremamente detalhista, nada linear. Nos 40 minutos iniciais, metade da sala tinha desistido. Da metade que ficou, uma metade dormia e a outra tentava entender.

Tirando a primeira hora, então, é um filme interessante que tem atuações impecáveis. Cada um dos atores desempenha muito bem mas isso se perde na narrativa confusa e lenta. Pra mim não vale a pena, mas quem sou eu pra te falar pra não ir ao cinema.
Millenium
Por último, Millenium - o homem que não amava as mulheres. Filme incrível, com uma história muito bem desenhada e cativante. Se tivesse 4 horas, você ficaria ali sentadinho, com vontade de fazer xixi, só pra saber o final do filme. Não vi a versão sueca mas gostei bastante da americana. Todos os fatos são muito bem amarrados e por isso, mesmo quando a história vai chegando ao final, você não sabe todas as respostas. Intrigante até o último segundo, e forte, muito forte.
Daniel Craig cumpre bem o papel de gostosão bom no que faz que descobre tudo e a melhor atuação fica por conta de Rooney Mara, a garota com a tatuagem de dragão (em tradução livre para o nome original do filme), que surpreende desde a aparência, postura e comportamento até a relevância que toma na trama.
Vale muito a pena e eu espero que tenha sequência, porque a dupla ornou e o filme é o tipo de filme de entretenimento que cumpre o seu papel.
Também vi alguns outros filmes em janeiro, tanto no cinema quanto na TV, mas acho que são esses os que merecem destaque por aqui. No quesito livros também tivemos meta batida, mas isso fica pra uma próxima hora.
Os Descendentes
Tô adorando essa onda reversa do cinema. Já tinha sentido isso com o Tom Hanks em Larry Crowne e agora com George Clooney em Descendentes. Grandes atores fazendo filmes menos comerciais, mais sensíveis e low-profile. Fui pra sessão sabendo mais ou menos o que esperar porque o trailler é daqueles que dá a história pra você saber o desenrolar. Mas mesmo assim fiquei muito surpresa
O ritmo da história é uma delícia, e as paisagens também. Mesmo assim, sem ter grandes cenários montados, figurinos elaborados ou uma trama extremamente meticulosa, o filme é lindo e encanta. Como eu disse no twitter, Os Descendentes não é um filme sobre amor, nem família, nem traição, nem casamento. É um filme sobre como a vida deve seguir em frente.Com pitadas de humor e muita leveza, Gerogey Clooney faz o que eu acredito ser a primeira interpretação não-sexy ou galã dele, abrindo todo o palco pra atuação das suas "filhas" no filme, Shailene Woodley, a mais velha, que, particularmente acho, vai ser a nova atriz adolescente dramática de Hollywood com uma atuaçao delicada e muito profunda; e também pra Amara Miller, que interpreta a filha mais nova, e que tem tudo pra ser a nova Little Miss Sunshine, com tiradas e entradas nos diálogos das cenas de fazer rir e se simpatizar com a menina.
Não sei se é um filme pra vencer o Oscar. Mas é um filme pra ver a vida, e isso vale mais.
Um Dia
Não vou falar muito de Um Dia porque eu me decepcionei e aqui cabe uma ressalva muito rápida: é um filme ma-ra-vi-lho-so, com Anne Hathaway falando um inglês britânico fofo e o Jim Sturgess aquecendo o coração de todas nós, mulheres apaixonadas por um inglesinho.
Acontece que eu não tava PREPARADA para o final do filme. Fui esperando uma coisa pelo trailer e me decepcionei, fiquei puta, queria levantar e falar "Pára tudo! Cadê o procon? Volta ai e faz de novo pelo amooooor de Deus.".

Mas como um todo, é um filme muito bom e bastante passional. Durante o filme dá tempo de ficar com dó da Emma (Anne), com raiva do Dexter (Jim), com pena dele e com nervoso dela. A narrativa é interessante mas preferia alguma coisa com um ritmo mais intenso, ao invés de pontual - como é. Cenários lindos (Inglaterra), fotografia delicada e romântica, diálogos de amigos que desde o começo você vai saber que ficarão juntos um dia. Enfim, turbilhão de emoções e minha cena preferida ficou por conta desse lindo ai gritando pra uns ladrões de roupa "isso não é um tênis, é um mocassim!".
Esse filme é sim sobre amor, sobre a família, sobre as nossas escolhas e, também, sobre como a vida deve seguir em frente e como isso só depende de nós. Vale a pena, mas vá preparado porque tudo pode acontecer.
O Espião que Sabia Demais
Um bom filme, mas que poderia ser cortado e publicado somente os 50 minutos finais. E ai eu pergunto: um filme que pode ser cortado e publicado somente com os 50 minutos finais é um bom filme? Trama lenta, extremamente detalhista, nada linear. Nos 40 minutos iniciais, metade da sala tinha desistido. Da metade que ficou, uma metade dormia e a outra tentava entender.

Tirando a primeira hora, então, é um filme interessante que tem atuações impecáveis. Cada um dos atores desempenha muito bem mas isso se perde na narrativa confusa e lenta. Pra mim não vale a pena, mas quem sou eu pra te falar pra não ir ao cinema.
Millenium
Por último, Millenium - o homem que não amava as mulheres. Filme incrível, com uma história muito bem desenhada e cativante. Se tivesse 4 horas, você ficaria ali sentadinho, com vontade de fazer xixi, só pra saber o final do filme. Não vi a versão sueca mas gostei bastante da americana. Todos os fatos são muito bem amarrados e por isso, mesmo quando a história vai chegando ao final, você não sabe todas as respostas. Intrigante até o último segundo, e forte, muito forte.
Daniel Craig cumpre bem o papel de gostosão bom no que faz que descobre tudo e a melhor atuação fica por conta de Rooney Mara, a garota com a tatuagem de dragão (em tradução livre para o nome original do filme), que surpreende desde a aparência, postura e comportamento até a relevância que toma na trama.Vale muito a pena e eu espero que tenha sequência, porque a dupla ornou e o filme é o tipo de filme de entretenimento que cumpre o seu papel.
Também vi alguns outros filmes em janeiro, tanto no cinema quanto na TV, mas acho que são esses os que merecem destaque por aqui. No quesito livros também tivemos meta batida, mas isso fica pra uma próxima hora.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Resolução de 2012
se quero que 2012 seja um ano diferente, preciso mudar tudo o que eu fazia de igual a 2011, certo?
é a primeira vez que levo a lista de resolução a sério e, mérito disso or not, algumas coisas já estão funcionando.
de qualquer maneira, o que é registrado não sai caro e então vou registrar pra no último dia desse ano que mal começou e já está dando um baaaaaaile em 2011 eu volte pra ver o que eu fiz ou o que ficou pra 2013.
- emagrecer: top de todos as listas, pelo menos femininas. mas verdade seja dita, além de uma estética favorável, é preciso saúde. desde dezembro eu tenho ido religiosamente à academia (com exceção dessa semana, que faltei na terça pra ir comemorar um ano de HSBC e na quinta por luto - meu coração e minha cabeçam não estavam aguentando) e tenho investido uma parcela do meu suado dinheirinho em um personal trainner. até agora foram 7kg pro espaço e é bom que nunca mais voltem.
- viajar, viajar e viajar: e isso não significa ir pra Paris todo final de semana, ou resolver fazer um retiro espiritual em Bali. isso siginifica descer pra Camboriú mais vezes, aproveitar a Ilha do Mel, ir pra SP e MG mais frequentemente pra ver minha família e não perder nenhuma oportunidade de ver meus amigos. até agora tudo se mostrou bastante favorável, pois em Janeiro consegui ir ver a família (num perrengue danado, é verdade, mas cheguei inteira), em Fevereiro tenho viagem marcada todo final de semana e em Março, bem, isso rende um outro ponto da lista de Resoluções.
- London, baby!: desde o primeiro momento em que me inscrevi no programa de trainee do HSBC, um dos benefícios que já havia feito o meu coração disparar era o GGDP, um programa de treinamento intensivo de um mês na Inglaterra, país sede do Banco. os critério para a carta branca são - até onde eu sei - rigorosos e à base de indicação, e não por candidatura. sexta feira recebi o email e agradeci, mais uma vez, por tudo o que tenho feito e realizado na minha vida e nos caminhos que escolhi trilhar. passo março inteiro fora, não precisamente em Londres, onde fico apenas alguns dias. de qualquer maneira, um dos objetivos de 2012 que eu já carimbei como feito com muito orgulho e coração alegre.
- Paris e Roma: com o treinamento à vista, a suspeita de que minhas férias só cheguem em Setembro começam a se tornar realidade. mas independente de quando, a certeza que eu tenho é que vou levar meus pais para Paris e pra Roma, quiçá também para Madri. esperemos cenas desse capítulo que já está capitalizando nos meus fundos de investimento.
- ver Foo Fighters: combo dois em um. vou ver Foo Fighters e isso explica tudo; e de quebra vou pra SP no feriado de Abril, ver minha família e amigos. scoooore!
- ver Letícia e Juliana se formarem: em Fevereiro vou pra Ouro Preto ver a Lê segurar o canudo (uopaa) e em Agosto é a vez da Juju erguer o diploma. Viagem, amigos, realizações, tuuudo check.
- ler dois livros por mês: na faculdade eu lia muito, e muito disso estava diretamente relacionado ao curso. mas agora, que eu não preciso ler e tenho outras coisas pra fazer, o cansaço e a preguiça fizeram da TV e do Computador meus maiores e melhores amigos. nicht shr gut, então agora a meta é 2 em 1. dois livros por mês e começamos 2012 bem. hoje é dia 22 de janeiro e estou terminando "Persuasão" da Jane Austen e retomei "Casa Gucci", da Sara Gay, que o Eric me emprestou ainda em 2011. tenho uma semana pra terminar os dois e acho que vai. pra fevereiro já tenho os dois escolhidos e o intuito é que a meta cresça com o passar dos meses. veremos.
- parar de comprar livros: apesar da meta agressiva (oi?), tenho MUITO livro na fila de espera. parar de comprar é o passo anterior ao desapega, mas esse segundo já é muito complicado pra minha cabeça então leave nina alone.
- quatro filmes por mês: nada difícil, mas preciso revisar o regulamento dessa resolução, afinal, sou a rainha de 1) ver filme pela metade na televisão e 2) rever o mesmo filme over and over again. esses 1 e 2 valem? até agora os inéditos foram (não me julguem, a programação do cinema tá horrível) > Imortais > Sherlock Holmes > Letra e Música > ??. tenho uma semana ainda, caaaaaalma.
- comprar só roupa clássica e/ou compras inteligentes: parei com aquele camiseta da miney (como escreve miney? minney? help) porque agora eu só faço compra inteligente. então aquela camisa de seda branca vai durar muito mais do que a saia de coração preto. eu sei. mas ainda estou exercitando.
- ser feliz: porque afinal de contas, a vida é curta, mesmo sendo a coisa mais longa que eu já vivi até agora.
quando surgirem novas resoluções, a gente conversa mais.
é a primeira vez que levo a lista de resolução a sério e, mérito disso or not, algumas coisas já estão funcionando.
de qualquer maneira, o que é registrado não sai caro e então vou registrar pra no último dia desse ano que mal começou e já está dando um baaaaaaile em 2011 eu volte pra ver o que eu fiz ou o que ficou pra 2013.
- emagrecer: top de todos as listas, pelo menos femininas. mas verdade seja dita, além de uma estética favorável, é preciso saúde. desde dezembro eu tenho ido religiosamente à academia (com exceção dessa semana, que faltei na terça pra ir comemorar um ano de HSBC e na quinta por luto - meu coração e minha cabeçam não estavam aguentando) e tenho investido uma parcela do meu suado dinheirinho em um personal trainner. até agora foram 7kg pro espaço e é bom que nunca mais voltem.
- viajar, viajar e viajar: e isso não significa ir pra Paris todo final de semana, ou resolver fazer um retiro espiritual em Bali. isso siginifica descer pra Camboriú mais vezes, aproveitar a Ilha do Mel, ir pra SP e MG mais frequentemente pra ver minha família e não perder nenhuma oportunidade de ver meus amigos. até agora tudo se mostrou bastante favorável, pois em Janeiro consegui ir ver a família (num perrengue danado, é verdade, mas cheguei inteira), em Fevereiro tenho viagem marcada todo final de semana e em Março, bem, isso rende um outro ponto da lista de Resoluções.
- London, baby!: desde o primeiro momento em que me inscrevi no programa de trainee do HSBC, um dos benefícios que já havia feito o meu coração disparar era o GGDP, um programa de treinamento intensivo de um mês na Inglaterra, país sede do Banco. os critério para a carta branca são - até onde eu sei - rigorosos e à base de indicação, e não por candidatura. sexta feira recebi o email e agradeci, mais uma vez, por tudo o que tenho feito e realizado na minha vida e nos caminhos que escolhi trilhar. passo março inteiro fora, não precisamente em Londres, onde fico apenas alguns dias. de qualquer maneira, um dos objetivos de 2012 que eu já carimbei como feito com muito orgulho e coração alegre.
- Paris e Roma: com o treinamento à vista, a suspeita de que minhas férias só cheguem em Setembro começam a se tornar realidade. mas independente de quando, a certeza que eu tenho é que vou levar meus pais para Paris e pra Roma, quiçá também para Madri. esperemos cenas desse capítulo que já está capitalizando nos meus fundos de investimento.
- ver Foo Fighters: combo dois em um. vou ver Foo Fighters e isso explica tudo; e de quebra vou pra SP no feriado de Abril, ver minha família e amigos. scoooore!
- ver Letícia e Juliana se formarem: em Fevereiro vou pra Ouro Preto ver a Lê segurar o canudo (uopaa) e em Agosto é a vez da Juju erguer o diploma. Viagem, amigos, realizações, tuuudo check.
- ler dois livros por mês: na faculdade eu lia muito, e muito disso estava diretamente relacionado ao curso. mas agora, que eu não preciso ler e tenho outras coisas pra fazer, o cansaço e a preguiça fizeram da TV e do Computador meus maiores e melhores amigos. nicht shr gut, então agora a meta é 2 em 1. dois livros por mês e começamos 2012 bem. hoje é dia 22 de janeiro e estou terminando "Persuasão" da Jane Austen e retomei "Casa Gucci", da Sara Gay, que o Eric me emprestou ainda em 2011. tenho uma semana pra terminar os dois e acho que vai. pra fevereiro já tenho os dois escolhidos e o intuito é que a meta cresça com o passar dos meses. veremos.
- parar de comprar livros: apesar da meta agressiva (oi?), tenho MUITO livro na fila de espera. parar de comprar é o passo anterior ao desapega, mas esse segundo já é muito complicado pra minha cabeça então leave nina alone.
- quatro filmes por mês: nada difícil, mas preciso revisar o regulamento dessa resolução, afinal, sou a rainha de 1) ver filme pela metade na televisão e 2) rever o mesmo filme over and over again. esses 1 e 2 valem? até agora os inéditos foram (não me julguem, a programação do cinema tá horrível) > Imortais > Sherlock Holmes > Letra e Música > ??. tenho uma semana ainda, caaaaaalma.
- comprar só roupa clássica e/ou compras inteligentes: parei com aquele camiseta da miney (como escreve miney? minney? help) porque agora eu só faço compra inteligente. então aquela camisa de seda branca vai durar muito mais do que a saia de coração preto. eu sei. mas ainda estou exercitando.
- ser feliz: porque afinal de contas, a vida é curta, mesmo sendo a coisa mais longa que eu já vivi até agora.
quando surgirem novas resoluções, a gente conversa mais.
Pedro e Ana.
eu fico eu tanto abismada com quanta dor existe no mundo - e fico mais ainda com quanta gente forte existe no mundo pra aguentar essa quantidade de dor.
no feriado de 7 de Setembro de 2010 eu tinha ido de Bauru pra Pouso Alegre e lá teria ficado aproveitando o feriado não fosse uma ligação do RH do HSBC pra uma entrevista em SP. já tinha passado pela triagem de curriculum, dinâmica, entrevista, painel e agora, aquela era a entrevista final. claro que meu feriado tinha ficado em segundo plano.
acordei cedo na sexta feira e fui com meu pai e o Paulo pra SP, pro que duraria no máximo uma hora. "tudo vai valer a pena", dizia meu pai. o GPS começou a dar problema e decidi pegar um táxi pra chegar no Tower, edifício onde o HSBC São Paulo fica. sorte a minha que a motorista era "a" porque tive que trocar de roupa no carro mesmo.
cheguei numa sala e enquanto um me entrevistava aqui, ao vivo, outro, do outro lado da tela, me entrevistava de lá. um em SP e um em Curitiba. o de São Paulo era seco mas não chegava a ser ríspido, me perguntava o que eu sabia de banco e deixei bem claro que NADA era a única resposa sensata no momento. o de Curitiba me olhava rindo, com olhos bondosos, e me pedia pra contar um pouco mais desse Laboratório de Design Solidário.
esse de Curitiba, que me entrevistou no feriado de 7 de Setembro de 2010, não foi meu chefe mas fazia parte da família de Canais Diretos. Era um dos patriarcas e como nós mesmo chamamos, era nosso gênio.
Pedro Alves era tranquilo e sorria com o olho o tempo todo. da entrevista, saiu com um novo apelido pra mim, o de jacianinha (Jaci é a matriarca do RH de Canais Diretos, e um exemplo vivo do que eu quero ser quando eu crescer.). Fui descobrir que ele era casado com a Ana Pereira uns 3 meses depois de estar em Canais, quando num dos nossos almoços mensais (eu, ela e Eric adoramos ir ao Madero almoçar e falar de tudo menos banco), ela citou o Pedro e eu disse, que Pedro? Bingo, Pedro Alves e Ana Pereira eram casados. Um dos patriarcas e uma das matriarcas de Canais Diretos.
Desde que eu cheguei ali percebi que aquilo era diferente e por isso é muito difícil tentar explicar. Canais Diretos é uma família e mais do que funcionários, temos relações de amizades muito fortes, que nos une para além das 8 (ou mais...) horas diárias de convivência.
Terça feira cheguei no trabalho e recebi a notícia de que Pedro tinha sofrido um AVC e de que estava em estado grave. a ausência dos patriarcas e matriarcas não negava: o estado era sério e o sofrimento era quase palpável.
Lembrei do dia em que fizemos uma atividade de arvorismo e que, morrendo de medo de subir num cabo de aço (oi, medo de altura feat. cadê meu chão que tava aqui?), subi com a Ana, ambas se segurando porque afinal de contas, esse era o intuito da atividade, se equilibrar a 20 metros de altura utilizando-se única e exclusivamente do seu parceiro. naquele dia nós duas nos seguramos e vencemos um medo juntas e vou te falar que esse tipo de coisa é o que une as pessoas. quis dizer à Ana que se fosse preciso, para cessar o sofrimento de todos, eu subiria SOZINHA no cabo de aço, quantas vezes fosse preciso, mas não havia nada pra fazer.
Quinta feira, às 14h, o Villela chamou todo mundo da ala e deu a notícia. "Que honra ter podido conviver com esse gênio, e que pena daquele que não o fez". eu nunca vou me esquecer do que é um andar inteiro chorando uníssono a perda de um patriarca, de um amigo, de um mentor, de um exemplo e, também, de um profissional. era uma dor tão grande, mas tão grande, que o todo não parecia suficiente para suportar, e assim se fez luto em Canais Diretos.
no dia da última homenagem ao nosso gênio, cheguei procurando pela Ana e já sabendo que ela havia perguntando de mim. quando me viu, colocou as mãos e os braços em posição de atividade de arvorismo nos meus, juntou a sua testa na minha e me olhou no fundo dos olhos: "você tá me segurando? a gente vai conseguir? você vai me segurar?". entre dor e desespero, vi amor. e olhei de volta no fundo do olho dela, testas coladas pra dizer que "sim, eu estou te segurando, agora e pra sempre, eu e todo mundo que está aqui". depois, me disse que nunca is me esquecer e perguntou "pronta?", a pergunta padrão pra que as atividades se iniciem, e eu sabia que por mais que nós nunca mais estivéssemos inteiro sem o nosso gênio, nós estaríamos sim, prontos e prontas para honrar o seu nome, fazê-lo permanecer imortal entre nós e seguir a vida como a grande família Canais Diretos que somos.
Ana está pronta porque é uma mulher de fibra e forte, dessas que eu também quero ser quando crescer. antes de ir embora eu pedi pelo último beijo e ela me disse, ou melhor, me ordenou, como um mentor que orienta o seu mentorando que nunca me esquecesse, NUNCA, que "foi ele quem me escolheu.".
Ana, a nossa mulher maravilha (e também maravilhosa) e Pedro, nosso gênio, são essas pessoas que eu agradeço diariamente por ter conhecido.
Pedro foi inventar moda lá do outro lado, e imortalizar sua geniosidade e generosidade; e Ana está pronta porque é mulher forte.
Eu fico pronta a acreditar que conviver e conhecer gente assim é um grande presente. E que estar em Curitiba e fazer parte da turma de Canais Diretos, é muito mais do que trabalho: é amor, amizade, honra e exatamente onde eu queria estar.
no feriado de 7 de Setembro de 2010 eu tinha ido de Bauru pra Pouso Alegre e lá teria ficado aproveitando o feriado não fosse uma ligação do RH do HSBC pra uma entrevista em SP. já tinha passado pela triagem de curriculum, dinâmica, entrevista, painel e agora, aquela era a entrevista final. claro que meu feriado tinha ficado em segundo plano.
acordei cedo na sexta feira e fui com meu pai e o Paulo pra SP, pro que duraria no máximo uma hora. "tudo vai valer a pena", dizia meu pai. o GPS começou a dar problema e decidi pegar um táxi pra chegar no Tower, edifício onde o HSBC São Paulo fica. sorte a minha que a motorista era "a" porque tive que trocar de roupa no carro mesmo.
cheguei numa sala e enquanto um me entrevistava aqui, ao vivo, outro, do outro lado da tela, me entrevistava de lá. um em SP e um em Curitiba. o de São Paulo era seco mas não chegava a ser ríspido, me perguntava o que eu sabia de banco e deixei bem claro que NADA era a única resposa sensata no momento. o de Curitiba me olhava rindo, com olhos bondosos, e me pedia pra contar um pouco mais desse Laboratório de Design Solidário.
esse de Curitiba, que me entrevistou no feriado de 7 de Setembro de 2010, não foi meu chefe mas fazia parte da família de Canais Diretos. Era um dos patriarcas e como nós mesmo chamamos, era nosso gênio.
Pedro Alves era tranquilo e sorria com o olho o tempo todo. da entrevista, saiu com um novo apelido pra mim, o de jacianinha (Jaci é a matriarca do RH de Canais Diretos, e um exemplo vivo do que eu quero ser quando eu crescer.). Fui descobrir que ele era casado com a Ana Pereira uns 3 meses depois de estar em Canais, quando num dos nossos almoços mensais (eu, ela e Eric adoramos ir ao Madero almoçar e falar de tudo menos banco), ela citou o Pedro e eu disse, que Pedro? Bingo, Pedro Alves e Ana Pereira eram casados. Um dos patriarcas e uma das matriarcas de Canais Diretos.
Desde que eu cheguei ali percebi que aquilo era diferente e por isso é muito difícil tentar explicar. Canais Diretos é uma família e mais do que funcionários, temos relações de amizades muito fortes, que nos une para além das 8 (ou mais...) horas diárias de convivência.
Terça feira cheguei no trabalho e recebi a notícia de que Pedro tinha sofrido um AVC e de que estava em estado grave. a ausência dos patriarcas e matriarcas não negava: o estado era sério e o sofrimento era quase palpável.
Lembrei do dia em que fizemos uma atividade de arvorismo e que, morrendo de medo de subir num cabo de aço (oi, medo de altura feat. cadê meu chão que tava aqui?), subi com a Ana, ambas se segurando porque afinal de contas, esse era o intuito da atividade, se equilibrar a 20 metros de altura utilizando-se única e exclusivamente do seu parceiro. naquele dia nós duas nos seguramos e vencemos um medo juntas e vou te falar que esse tipo de coisa é o que une as pessoas. quis dizer à Ana que se fosse preciso, para cessar o sofrimento de todos, eu subiria SOZINHA no cabo de aço, quantas vezes fosse preciso, mas não havia nada pra fazer.
Quinta feira, às 14h, o Villela chamou todo mundo da ala e deu a notícia. "Que honra ter podido conviver com esse gênio, e que pena daquele que não o fez". eu nunca vou me esquecer do que é um andar inteiro chorando uníssono a perda de um patriarca, de um amigo, de um mentor, de um exemplo e, também, de um profissional. era uma dor tão grande, mas tão grande, que o todo não parecia suficiente para suportar, e assim se fez luto em Canais Diretos.
no dia da última homenagem ao nosso gênio, cheguei procurando pela Ana e já sabendo que ela havia perguntando de mim. quando me viu, colocou as mãos e os braços em posição de atividade de arvorismo nos meus, juntou a sua testa na minha e me olhou no fundo dos olhos: "você tá me segurando? a gente vai conseguir? você vai me segurar?". entre dor e desespero, vi amor. e olhei de volta no fundo do olho dela, testas coladas pra dizer que "sim, eu estou te segurando, agora e pra sempre, eu e todo mundo que está aqui". depois, me disse que nunca is me esquecer e perguntou "pronta?", a pergunta padrão pra que as atividades se iniciem, e eu sabia que por mais que nós nunca mais estivéssemos inteiro sem o nosso gênio, nós estaríamos sim, prontos e prontas para honrar o seu nome, fazê-lo permanecer imortal entre nós e seguir a vida como a grande família Canais Diretos que somos.
Ana está pronta porque é uma mulher de fibra e forte, dessas que eu também quero ser quando crescer. antes de ir embora eu pedi pelo último beijo e ela me disse, ou melhor, me ordenou, como um mentor que orienta o seu mentorando que nunca me esquecesse, NUNCA, que "foi ele quem me escolheu.".
Ana, a nossa mulher maravilha (e também maravilhosa) e Pedro, nosso gênio, são essas pessoas que eu agradeço diariamente por ter conhecido.
Pedro foi inventar moda lá do outro lado, e imortalizar sua geniosidade e generosidade; e Ana está pronta porque é mulher forte.
Eu fico pronta a acreditar que conviver e conhecer gente assim é um grande presente. E que estar em Curitiba e fazer parte da turma de Canais Diretos, é muito mais do que trabalho: é amor, amizade, honra e exatamente onde eu queria estar.
sábado, 31 de dezembro de 2011
Que a evolução continue.
2011 foi um ano ANIMAL.
Fui morar em Curitiba e olha, vou te falar que perdi as contas de quantas vezes olhei passagem pra cá, quando eu morava eu Bauru. Gosto de árvore, de céu e de verde. Hello-o, olha onde eu vim parar né? Nem tinha assinado o meu diploma, já tinha assinado um contrato de trabalho, mas não um contrato qualquer, um contrato que me dava direito a um ano e meio de treinamento, um ano e meio de cursos e um ano e meio de oportunidades de aprender. Sai da faculdade para aprender, e consegui essa vaga dentre 20 mil outros sonhadores. Muito bom aprender fazendo, ainda mais pra uma ariana, né? Como se isso já não bastasse logo nos dois primeiros meses do ano, tive SORTE. E aqui cabe uma pausa porque pra mim sorte = preparação + oportunidade - e não a sorte da loteria. Estava preparada e tive a oportunidade de em pouco tempo assumir uma área e uma equipe incrível de maravilhosa, pra fazer o que eu amo, com gente que eu gosto... my lord, como eu sou agradecida.
Convivi diariamente com gente que tem crise de riso, que manda email com homens maravilhosos e olhares sedutores, que toca a música que eu quero na balada só pra me ver dançando. convivi diariamente com ligações "encurta-saudade" e com pessoas que adimiro tanto, que até tenho medo de vez em qdo. convivi com pessoas simples de coração, ricas de caráter e extremamente humanas em every single gesto.
ouvi tanta coisa bonita de mim mesma que comecei a me ver diferente. ouvi que eu era gentil, que eu era engraçada, que eu era rápida, que eu fazia a diferença e até que "meu jeito de andar era diferente". e isso não me fez nem melhor nem pior do que ninguém, me fez eu mesma gostando ainda mais dessa eu mesma.
em 2011, cheguei em casa amanhecendo e fui dormir antes de escurecer. estive em parques, museus, restaurantes e sorveterias (muitas delas, com menção honrosa ao sorvete de pistache do Freddo). mas também estive na minha cama, no meu sofá, em cada por do sol da minha janela, na academia com o meu pesonal mala me chamando de duracell e com aquele carinha bonitinho que só usa o tênis marrom. estive na casa da minha avó, do meu irmão, da minha outra avó, dos meus primos queridos e dos meus pais. o mais importante, é que eu estive comigo mesma, e estive em cada um desses lugares com o coração cheio de amor, por poder simplesmente estar.
Quase no finalzinho do ano, quando eu achei que 2011 não traria mais nenhuma surpresa, ele me tirou o fôlego com o Natal que eu sempre sonhei. Não fui pra Paris, não vi neve em Nova York e não dei pra minha mãe e pro meu pai o Mundo (sorry, guys), mas estive em harmonia com uma família pequena, mas querida, que fes questão de estar junto e celebrar a vida. Nossa árvore estava lotada de presentes, mas os nossos corações transbordavam alegria, e esse, Papai Noel, foi o melhor presente que você me deu em 23 anos - acho que me encontrar pelas redes sociais te ajudou, né?
Mas 2011 também me deu muita insônia, algumas desilusões e sim, momentos de tristeza. trouxe lágrimas aos meus olhos e uma dor no coração que mais parecia física. a todos esses momentos, 2011, eu sou grata: porque eles me fizeram melhor, mais forte - e talvez até mais gorda, já que o que não mata, engorda.
2011 foi animal e o melhor é que ele foi tão bom, que me deu esperanças de um 2012 ainda mais animal. em 2012 verei foo fighters, los hermanos e ainda terei fôlego - e meses - para fazer muito mais, como visitar a terra da rainha, a terra do croissant, a terra do falar em gestos e a terra do Almodóvar. se 2012 me permitir, ainda verei duas amigas se formar, um recém-e muito querido amigo se casar, e muita gente comemorar vitórias, conquistas e sonhos realizados.
No final de tudo, nesse balanço-catarse, entendo que estive com todas as minhas forças vivendo e fazendo um 2011 meu. Mas tenho plena consciência de que a partir de hoje, à meia noite, não sou eu que estarei em 2011, mas ele que estará comigo - em formato de lembrança e esperança.
No final de tudo, de novo, lembro daquele filme que em 2006 me instigou a estudar alemão por amor e que dizia assim: Jedes Hertz ist eine revolutionäre Zelle ou, cada coração é uma célula revolucionária (e quero ver você ler essa frase e não ter uma vontade apaixonada de falar essa língua!).
2011, OBRIGADA. E 2012, seja bem vindo. Meu coração está aberto e a casa é nossa. Pode pegar na minha mão porque eu gosto, e não se importe se eu chorar porque eu sou sentimental. Não quero que você seja igual a 2011 e nem que você se compare com ele. Be true to yourself e faça a sua festa.
Ah, só mais uma coisinha: não preciso listar todos aqueles amigos e queridos que eu também quero que te recebam com o coração aberto né? Isso porque pra mim, você e Deus sabem de tudo e eu nem preciso falar. Só tenho um último pedido, que vem tipo promoção de supermercado 2 em 1: como disse meu irmão querido e exemplo de ética na minha vida, deixe que a evolução continue! Em mim, no meu coração, na minha casa, nas minhas ações. E por falar em ação, me ajude a fazer o que minha mãe tão amada me disse dias atrás: preocupe-se mais com SÁBIAS ATITUDES e menos com SÁBIAS PALAVRAS. Por mais que eu goste das sábias palavras, acho que ela tem razão né?
É só isso, e acho que já disse muito.
Vem, vem. Tem doce de leite na geladeira e muita esperança no coração. Fica à vontade.
Fui morar em Curitiba e olha, vou te falar que perdi as contas de quantas vezes olhei passagem pra cá, quando eu morava eu Bauru. Gosto de árvore, de céu e de verde. Hello-o, olha onde eu vim parar né? Nem tinha assinado o meu diploma, já tinha assinado um contrato de trabalho, mas não um contrato qualquer, um contrato que me dava direito a um ano e meio de treinamento, um ano e meio de cursos e um ano e meio de oportunidades de aprender. Sai da faculdade para aprender, e consegui essa vaga dentre 20 mil outros sonhadores. Muito bom aprender fazendo, ainda mais pra uma ariana, né? Como se isso já não bastasse logo nos dois primeiros meses do ano, tive SORTE. E aqui cabe uma pausa porque pra mim sorte = preparação + oportunidade - e não a sorte da loteria. Estava preparada e tive a oportunidade de em pouco tempo assumir uma área e uma equipe incrível de maravilhosa, pra fazer o que eu amo, com gente que eu gosto... my lord, como eu sou agradecida.
Convivi diariamente com gente que tem crise de riso, que manda email com homens maravilhosos e olhares sedutores, que toca a música que eu quero na balada só pra me ver dançando. convivi diariamente com ligações "encurta-saudade" e com pessoas que adimiro tanto, que até tenho medo de vez em qdo. convivi com pessoas simples de coração, ricas de caráter e extremamente humanas em every single gesto.
ouvi tanta coisa bonita de mim mesma que comecei a me ver diferente. ouvi que eu era gentil, que eu era engraçada, que eu era rápida, que eu fazia a diferença e até que "meu jeito de andar era diferente". e isso não me fez nem melhor nem pior do que ninguém, me fez eu mesma gostando ainda mais dessa eu mesma.
em 2011, cheguei em casa amanhecendo e fui dormir antes de escurecer. estive em parques, museus, restaurantes e sorveterias (muitas delas, com menção honrosa ao sorvete de pistache do Freddo). mas também estive na minha cama, no meu sofá, em cada por do sol da minha janela, na academia com o meu pesonal mala me chamando de duracell e com aquele carinha bonitinho que só usa o tênis marrom. estive na casa da minha avó, do meu irmão, da minha outra avó, dos meus primos queridos e dos meus pais. o mais importante, é que eu estive comigo mesma, e estive em cada um desses lugares com o coração cheio de amor, por poder simplesmente estar.
Quase no finalzinho do ano, quando eu achei que 2011 não traria mais nenhuma surpresa, ele me tirou o fôlego com o Natal que eu sempre sonhei. Não fui pra Paris, não vi neve em Nova York e não dei pra minha mãe e pro meu pai o Mundo (sorry, guys), mas estive em harmonia com uma família pequena, mas querida, que fes questão de estar junto e celebrar a vida. Nossa árvore estava lotada de presentes, mas os nossos corações transbordavam alegria, e esse, Papai Noel, foi o melhor presente que você me deu em 23 anos - acho que me encontrar pelas redes sociais te ajudou, né?
Mas 2011 também me deu muita insônia, algumas desilusões e sim, momentos de tristeza. trouxe lágrimas aos meus olhos e uma dor no coração que mais parecia física. a todos esses momentos, 2011, eu sou grata: porque eles me fizeram melhor, mais forte - e talvez até mais gorda, já que o que não mata, engorda.
2011 foi animal e o melhor é que ele foi tão bom, que me deu esperanças de um 2012 ainda mais animal. em 2012 verei foo fighters, los hermanos e ainda terei fôlego - e meses - para fazer muito mais, como visitar a terra da rainha, a terra do croissant, a terra do falar em gestos e a terra do Almodóvar. se 2012 me permitir, ainda verei duas amigas se formar, um recém-e muito querido amigo se casar, e muita gente comemorar vitórias, conquistas e sonhos realizados.
No final de tudo, nesse balanço-catarse, entendo que estive com todas as minhas forças vivendo e fazendo um 2011 meu. Mas tenho plena consciência de que a partir de hoje, à meia noite, não sou eu que estarei em 2011, mas ele que estará comigo - em formato de lembrança e esperança.
No final de tudo, de novo, lembro daquele filme que em 2006 me instigou a estudar alemão por amor e que dizia assim: Jedes Hertz ist eine revolutionäre Zelle ou, cada coração é uma célula revolucionária (e quero ver você ler essa frase e não ter uma vontade apaixonada de falar essa língua!).
2011, OBRIGADA. E 2012, seja bem vindo. Meu coração está aberto e a casa é nossa. Pode pegar na minha mão porque eu gosto, e não se importe se eu chorar porque eu sou sentimental. Não quero que você seja igual a 2011 e nem que você se compare com ele. Be true to yourself e faça a sua festa.
Ah, só mais uma coisinha: não preciso listar todos aqueles amigos e queridos que eu também quero que te recebam com o coração aberto né? Isso porque pra mim, você e Deus sabem de tudo e eu nem preciso falar. Só tenho um último pedido, que vem tipo promoção de supermercado 2 em 1: como disse meu irmão querido e exemplo de ética na minha vida, deixe que a evolução continue! Em mim, no meu coração, na minha casa, nas minhas ações. E por falar em ação, me ajude a fazer o que minha mãe tão amada me disse dias atrás: preocupe-se mais com SÁBIAS ATITUDES e menos com SÁBIAS PALAVRAS. Por mais que eu goste das sábias palavras, acho que ela tem razão né?
É só isso, e acho que já disse muito.
Vem, vem. Tem doce de leite na geladeira e muita esperança no coração. Fica à vontade.
domingo, 18 de dezembro de 2011
protagonista sozinha da ceia de Natal
eu gosto muito do Natal. muito mesmo.
tanto que a melhor maneira de definir o quanto é tipo assim: queria que fosse semana de Natal toda semana. queria que todos os meses fossem Dezembro pra gente viver com essa alegria de final de ano, com esse monte de luzinha transformando qualquer bairro numa Chaps Elysees.
lembro que quando eu era criança e meu pai me levava na locadora, eu gostava de desenho do Mickey com tema de natal.
essa coisa de mesa posta, árvore montada e gente rindo em volta dela sempre foi a minha idéia perfeita de natal.
natal me lembra família reunida e até pouco tempo atrás era a única época que a família se reunia por completo, porque hoje em dia nem isso.
mesmo assim, eu continua me esforçando e tentando fazer com que continue sendo o tempo da família, da mesa, da árvore e das risadas.
fico triste por pensar que ás vezes estou sozinha nessa cena, tentando trazer todo mundo ao clima, quando eles mesmo não querem estar.
eu me assusto com gente que não consegue sentir esse espírito natalino que eu sinto. e com certeza muita gente se irrrita com a minha felicidade exagerada no Natal.
esse ano não tem amigo secreto, não tem tia vandinha fazendo todas as comidas da época. não tem alguém de lá de longe e não tem gente reclamando da viagem, do cansaço, da falta de colchão, de gente cantando na garagem, da luz acesa, da conversa alta.
esse ano vai ter churrasco ao invés de ceia e com certeza alguém vai dormir antes da meia noite.
mas esse ano eu não quero ser protagonista sozinha da minha ceia inventada. esse ano eu não quero pensar que pode ser o último, e eu não quero ficar triste depois, em pensar que poderia ter sido diferente.
esse ano, eu tô pegando um avião pra ir pra casa, e tô aqui, olhando do 16o andar, chorando, triste de não estar lá, feliz de estar aqui, e pensando que mesmo que eu seja a única presente, o Natal vai ter árvore, mesa e gente rindo em volta deles. porque mais do que existe, ele existe em forma de amor dentro de mim.
tanto que a melhor maneira de definir o quanto é tipo assim: queria que fosse semana de Natal toda semana. queria que todos os meses fossem Dezembro pra gente viver com essa alegria de final de ano, com esse monte de luzinha transformando qualquer bairro numa Chaps Elysees.
lembro que quando eu era criança e meu pai me levava na locadora, eu gostava de desenho do Mickey com tema de natal.
essa coisa de mesa posta, árvore montada e gente rindo em volta dela sempre foi a minha idéia perfeita de natal.
natal me lembra família reunida e até pouco tempo atrás era a única época que a família se reunia por completo, porque hoje em dia nem isso.
mesmo assim, eu continua me esforçando e tentando fazer com que continue sendo o tempo da família, da mesa, da árvore e das risadas.
fico triste por pensar que ás vezes estou sozinha nessa cena, tentando trazer todo mundo ao clima, quando eles mesmo não querem estar.
eu me assusto com gente que não consegue sentir esse espírito natalino que eu sinto. e com certeza muita gente se irrrita com a minha felicidade exagerada no Natal.
esse ano não tem amigo secreto, não tem tia vandinha fazendo todas as comidas da época. não tem alguém de lá de longe e não tem gente reclamando da viagem, do cansaço, da falta de colchão, de gente cantando na garagem, da luz acesa, da conversa alta.
esse ano vai ter churrasco ao invés de ceia e com certeza alguém vai dormir antes da meia noite.
mas esse ano eu não quero ser protagonista sozinha da minha ceia inventada. esse ano eu não quero pensar que pode ser o último, e eu não quero ficar triste depois, em pensar que poderia ter sido diferente.
esse ano, eu tô pegando um avião pra ir pra casa, e tô aqui, olhando do 16o andar, chorando, triste de não estar lá, feliz de estar aqui, e pensando que mesmo que eu seja a única presente, o Natal vai ter árvore, mesa e gente rindo em volta deles. porque mais do que existe, ele existe em forma de amor dentro de mim.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
era aniversário da Julia Moretti e a gente tinha ido no supermercado comprar coisas pra fazer lasanha. o pai dela tinha acabado de se separar e tava morando num prédio perto da minha casa, com uma sacada boa e um monte de colchão na sala, do jeito que a gente gosta.
na volta do supermercado a Julia ficou lá embaixo esperando a mocinha do jornalismo na UnB que eu esqueci o nome, e eu subi com a Elisa e com a chave. tentei abrir a porta, mas a chave não rodava, a porta não abria... até que percebi que tava no andar errado, no apartamento errado.
subi correndo e ela foi atrás de mim, rindo, até que a gente chegou no apartamento certo.
lasanha pronta e janta feita, não me lembro de mais nada.
não lembro. lembro de umas fotos que tiramos no dia e até a roupa que eu tava, mas nao lembro do que fizemos - que filme vimos, que música cantamos, sobre o que falamos...
mas ela tava lá, com o sorriso tão puro e tão fácil, com jeito de quem não magoa, de quem não fere.
o que houve, então, pra que se ferisse assim, de forma tão grave?
Elisa, a menina da rua de cima da casa da Julia, de fala mansa e sorriso fácil se foi. se foi porque quis ou porque quiseram. mas se foi.
virou fruta daquele tipo de fruta que é flor.
e que assim seja, pra sempre.
amém.
na volta do supermercado a Julia ficou lá embaixo esperando a mocinha do jornalismo na UnB que eu esqueci o nome, e eu subi com a Elisa e com a chave. tentei abrir a porta, mas a chave não rodava, a porta não abria... até que percebi que tava no andar errado, no apartamento errado.
subi correndo e ela foi atrás de mim, rindo, até que a gente chegou no apartamento certo.
lasanha pronta e janta feita, não me lembro de mais nada.
não lembro. lembro de umas fotos que tiramos no dia e até a roupa que eu tava, mas nao lembro do que fizemos - que filme vimos, que música cantamos, sobre o que falamos...
mas ela tava lá, com o sorriso tão puro e tão fácil, com jeito de quem não magoa, de quem não fere.
o que houve, então, pra que se ferisse assim, de forma tão grave?
Elisa, a menina da rua de cima da casa da Julia, de fala mansa e sorriso fácil se foi. se foi porque quis ou porque quiseram. mas se foi.
virou fruta daquele tipo de fruta que é flor.
e que assim seja, pra sempre.
amém.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Questão de sobrevivência
Quebrei a abstinência do cinema com um que vale a pena. A Pele Que Habito, de Almodóvar, é a prova de que o diretor consegue, a cada filme, se reinventar e superar na arte de chocar.
Ele, que materializa o tipo de filme que meu pai chama de "não assistiria isso com você", poupou-nos dos escândalos deslavados como em Tudo Sobre Minha Mãe e, dessa vez, choca por dentro, no íntimo, no que é de cada um, e só de cada um.

Almodóvar que, pra mim, sempre soube trabalhar as personagens femininas com muita delicadeza, como se as tivesse na palma da mão, traz companhia e representa, nesse último filme, a humanidade inteira empinhocada entre os dedos.
No fim, a mensagem é clara - e que pena que precisamos resgatar de forma tão brusca algo que deveria ser tão claro.
Independente de suas mudanças, do que o mundo faz com você ou do que você faz com o mundo, a sua essência, o seu interior, e o que há de mais íntimo, é o que te caracteriza. É isso que te faz como é.
Lutar pra perservar o íntimo individual é muito mais do que vaidade, é uma questão de sobrevivência. Cada vez mais cotidiana.
Ele, que materializa o tipo de filme que meu pai chama de "não assistiria isso com você", poupou-nos dos escândalos deslavados como em Tudo Sobre Minha Mãe e, dessa vez, choca por dentro, no íntimo, no que é de cada um, e só de cada um.

Almodóvar que, pra mim, sempre soube trabalhar as personagens femininas com muita delicadeza, como se as tivesse na palma da mão, traz companhia e representa, nesse último filme, a humanidade inteira empinhocada entre os dedos.
No fim, a mensagem é clara - e que pena que precisamos resgatar de forma tão brusca algo que deveria ser tão claro.
Independente de suas mudanças, do que o mundo faz com você ou do que você faz com o mundo, a sua essência, o seu interior, e o que há de mais íntimo, é o que te caracteriza. É isso que te faz como é.
Lutar pra perservar o íntimo individual é muito mais do que vaidade, é uma questão de sobrevivência. Cada vez mais cotidiana.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Eu no escurinho do cinema.
sempre gostei muito de cinema, muito mesmo. mas pouso alegre não me ajudava e não tinha nem um cinema decente pra eu frequentar. o resultado disso eram filmes de almodóvar que eu alugava e que meu pai comentava "tenho vergonha de ver isso com você."
Bauru foi um progresso, e eu morava na esquina de um shopping.
aqui em Curitiba eu também dei sorte, moro a três quadras de dois cinemas alternativos, e muito perto de grandes redes de cinema. qué dizê: dá pra gastar uma grana.
a minha sorte é que meu cinema preferido é o daqui do lado: vou a pé, pela rua mais bonita de curitiba, ouvindo passarinho cantar e vendo gente GATA no pub da esquina e ainda pago meia com o meu cartão ItauCard (abafa).
outra coisa que senti muita diferença: em Bauru eu pagava meia e tipo, muito barato.
em Curitiba, tem cinema e sessão que chega a custar R$30 (OUCH!).
enfim, tudo isso pra dizer que eu adoro, quase como um prazer descomunal, ir sozinha ao cinema, em sessão médio-vazia e não precisava me agarrar a nada nem ninguém além da minha água com gás. depois, quando os crédito sobem, eu não preciso falar o que eu achei do filme com ninguém, a não ser comigo mesma.
é meio egoísmo, eu sei, mas fazer o quê. às vezes é bom.
e eu acho que gosto tanto e me dá tanto prazer justamente porque foi dessa maneira que aprendi a ficar comigo.
os últimos filmes que eu vi me tocaram muito. foi um atrás do outro (alguns, literalmente) e nem sempre estava sozinha (tcharãm!). por isso, resolvi escrever um pouco sobre cada um deles.
Larry Crowne é um filme delicioso. parece um Amelie Poulain americano, mas consegue ser autônomo. Tom Hanks tá uma coisa de ator. é filme gostoso, que não tem climax bad trip pra depois dar tudo certo. lindo do tipo que faz todo mundo sair do cinema abraçado e sorrindo (abraçada = eu + água com gás.)
foi depois dele que fui direto pro Gainsburg (não vou colocar o resto do título do português porque ô mania de brasileiro de FODER - desculpa - com nome de filme.).

não tava esperando muita coisa porque como entrei correndinho, não li a sinopse. então foi uma delícia ir descobrindo o personagem e o filme. do nada, começara a aparecer beldades que eu conhecia (iei!) na história. entre tantas como Brigit Bardot, os pontos altos foram dois: primeiro, quando Jane Birkin entrou na história e eu fiquei olhando pro lado, pra ter alguém pra quem falar "é a Birkin! Hermès fez uma bolsa em homenagem a ela, sabe... aquela que custa 30 pau?". mas eu tava sozinha, então me contentei a ficar feliz de saber a história. detalhe bacana: a história da bolsa não aparece, mas na cronologia dá pra reparrar ela de cesta de pic-nic e, depois, ela com a Birkin (todas morre). depois quando começa a tocar a música famosa, dos gemidos e Je taime - e eu queria pegar o telefone e ligar pra minha mãe porque TODA santa vez que eu escuto essa música, eu lembro dela falando que essa música foi o maior bafafá na época, aquele tanto de gemido e tal e coisa. enfim, surpresas agradáveis pra um filme incrível, de fotografia marcante e músicas gostosas.

depois disso, vi Melancolia e my oh my. Lars Von Trier é tipo Dilma: uns amam outros odeiam, mas tá sempre causando. eu fiquei mini nervosa no começo: tudo em camera lenta, com música instrumental. dá pra ficar tonto, então se você tem labirintite, fica a dica. o filme é um escândalo. é muito bem feito e tem Charlotte Gainsburg na telona: aquela atriz que você fica olhando e ora acha incrivelmente bonita, ora acha incrivelmente feia - o bafão é que ela é filha do Serge ali de cima com a Jane, e eu nem sabia. fui descobrir depois (quantas Birkin será que ela tem, han?). ela fez um filme do Michael Gondry incrível, que se chama The Science of Sleep e é lindo de doer. além disso, ela também fez um dos meus filmes preferidos, 21 gramas. qué dizê: eu acho que ela apavora.
voltando... um resumão do filme é bem assim: se você parar de florear e enxergar a vida como ela é, você vai ser uma pessoa triste. e não me venha filosofar ao sabor de um bom vinho no quintal de casa. ponto. filme bom, mas para poucos.
depois disso parti pra dois filmes engraçadinhos, pra ir com amigos: Professora Sem Classe e Missão Madrinha de casamento. o primeiro cumpe um clichê bastante batido que tem hora que dá raiva - inclusive da beleza ageless de Cameron Diaz - mas ok pra um domingo à noite. e o segundo foi uma surpresa incrível.

ri até dizer chega - e tinha horas em que não sabia se o cinema inteiro estava rindo COMigo ou DE mim. ri de chorar, pra ser literal. tem a Sookie de Gilmore Girls num papel amazing de exagerado e a protagonista, Kristen Wiig, de quem eu nunca tinha ouvido falar, manda muito bem. é divertido, engraçado, bonito e leve. eu ficava olhando e pensava "não acaba, não acaba, não acaba". me arrisquei a falar pra uma amiga que é o Se Beber Não Case das meninas, mas não chega a tanto. é engraçadíssimo e delicisioso, mas não chega a ser how bizarre. vale a pena. demais. mas vá acompanhado.
(calma, tá quase acabando). depois disso, rolou uma tarde de greve dos bancários no cinema. o meu melhor amigo de curitiba (beijo, Eriquinho) tinha voltado da Itália (tá meu bem) e fomos num cinema alternativo que eu nunca vou, pra assistir a um filme italiano.
vou abstrair o fato de que em italiano ele chama Io Sono L'Amore (Eu sou o amor - nem precisa ser Andrea Bocelli pra descobrir né) e de que foi traduzido pro portuguese como Um sonho de amor. mas só vou abstrair porque o filme é um BAFO - foi a única palavra que eu Eric conseguimos falar por um bom tempo depois de rodar os créditos. só homem lindo, Luise tá passando bem, obrigada (beijo, Lu). acho que vou mudar meus atores preferidos. fora isso um figurino IMPECÁVEL, muitas Birkins pra lá e pra cá, Hermès mostrando que crise européia é o que mermo?. enfim. um roteiro lindo, todo focado em detalhes, que relembra muito o cinema italiano puro. tem crítico dizendo que o filme é a volta do cinema italiano - e eu assino embaixo. a música e o cenário também são um desbunde, imagine você se não. o trama, nem se fala. o que me deixou bastante chateada, no entanto, foi descobrir que o filme é de 2007 (oi?) e que só chegou agora no Brasil. TEMÇO, como diria Katylene.
o úlimo foi Pronta Para Amar, com a foooooofa da Kate Hudson e com o deuso do Gael Garcia Bernal (que faz par romântico com a Charlotte, em The Science of Sleep - adoro como meus preferidos se encontram nas telonas). o filme tem tudo de lindo e de triste. já avisei no facebook pra ir em sessão vazia porque chorei horrores (e o Eric, que tava comigo, de novo, também chorou, oi Eric!). a sinopse entrega a trama. eles se apaixonam mas ela tá com câncer. eu achei que eu tinha chorado horrores porque recentemente passei por uma situação com essa doença na família e a família inteira sofreu muito. mas depois de digerir o filme, ficou claro que é porque é lindo. tem o ritmo de filminho gostoso de Hollywood, mas o final surpreende porque é previsível, mas não pra um filme de Hollywood. inspirador e lindo. perfeito pra uma TPM - mhua.
depois disso, estou meio sem dinheiro (jura?) e agradecendo porque amanhã é sexta e estréia um monte de filme novo - monte assim: que eu não vi e tô afim de ver, são três.
fora isso comprei um box da Audrey que pretendo devorar logo em breve (musa forever) e também comprei o Never Let Me Go que promete choro, también. portanto, que subam os créditos, por hoje, já escrevi demais.
Bauru foi um progresso, e eu morava na esquina de um shopping.
aqui em Curitiba eu também dei sorte, moro a três quadras de dois cinemas alternativos, e muito perto de grandes redes de cinema. qué dizê: dá pra gastar uma grana.
a minha sorte é que meu cinema preferido é o daqui do lado: vou a pé, pela rua mais bonita de curitiba, ouvindo passarinho cantar e vendo gente GATA no pub da esquina e ainda pago meia com o meu cartão ItauCard (abafa).
outra coisa que senti muita diferença: em Bauru eu pagava meia e tipo, muito barato.
em Curitiba, tem cinema e sessão que chega a custar R$30 (OUCH!).
enfim, tudo isso pra dizer que eu adoro, quase como um prazer descomunal, ir sozinha ao cinema, em sessão médio-vazia e não precisava me agarrar a nada nem ninguém além da minha água com gás. depois, quando os crédito sobem, eu não preciso falar o que eu achei do filme com ninguém, a não ser comigo mesma.
é meio egoísmo, eu sei, mas fazer o quê. às vezes é bom.
e eu acho que gosto tanto e me dá tanto prazer justamente porque foi dessa maneira que aprendi a ficar comigo.
os últimos filmes que eu vi me tocaram muito. foi um atrás do outro (alguns, literalmente) e nem sempre estava sozinha (tcharãm!). por isso, resolvi escrever um pouco sobre cada um deles.
Larry Crowne é um filme delicioso. parece um Amelie Poulain americano, mas consegue ser autônomo. Tom Hanks tá uma coisa de ator. é filme gostoso, que não tem climax bad trip pra depois dar tudo certo. lindo do tipo que faz todo mundo sair do cinema abraçado e sorrindo (abraçada = eu + água com gás.)foi depois dele que fui direto pro Gainsburg (não vou colocar o resto do título do português porque ô mania de brasileiro de FODER - desculpa - com nome de filme.).

não tava esperando muita coisa porque como entrei correndinho, não li a sinopse. então foi uma delícia ir descobrindo o personagem e o filme. do nada, começara a aparecer beldades que eu conhecia (iei!) na história. entre tantas como Brigit Bardot, os pontos altos foram dois: primeiro, quando Jane Birkin entrou na história e eu fiquei olhando pro lado, pra ter alguém pra quem falar "é a Birkin! Hermès fez uma bolsa em homenagem a ela, sabe... aquela que custa 30 pau?". mas eu tava sozinha, então me contentei a ficar feliz de saber a história. detalhe bacana: a história da bolsa não aparece, mas na cronologia dá pra reparrar ela de cesta de pic-nic e, depois, ela com a Birkin (todas morre). depois quando começa a tocar a música famosa, dos gemidos e Je taime - e eu queria pegar o telefone e ligar pra minha mãe porque TODA santa vez que eu escuto essa música, eu lembro dela falando que essa música foi o maior bafafá na época, aquele tanto de gemido e tal e coisa. enfim, surpresas agradáveis pra um filme incrível, de fotografia marcante e músicas gostosas.

depois disso, vi Melancolia e my oh my. Lars Von Trier é tipo Dilma: uns amam outros odeiam, mas tá sempre causando. eu fiquei mini nervosa no começo: tudo em camera lenta, com música instrumental. dá pra ficar tonto, então se você tem labirintite, fica a dica. o filme é um escândalo. é muito bem feito e tem Charlotte Gainsburg na telona: aquela atriz que você fica olhando e ora acha incrivelmente bonita, ora acha incrivelmente feia - o bafão é que ela é filha do Serge ali de cima com a Jane, e eu nem sabia. fui descobrir depois (quantas Birkin será que ela tem, han?). ela fez um filme do Michael Gondry incrível, que se chama The Science of Sleep e é lindo de doer. além disso, ela também fez um dos meus filmes preferidos, 21 gramas. qué dizê: eu acho que ela apavora.
voltando... um resumão do filme é bem assim: se você parar de florear e enxergar a vida como ela é, você vai ser uma pessoa triste. e não me venha filosofar ao sabor de um bom vinho no quintal de casa. ponto. filme bom, mas para poucos.
depois disso parti pra dois filmes engraçadinhos, pra ir com amigos: Professora Sem Classe e Missão Madrinha de casamento. o primeiro cumpe um clichê bastante batido que tem hora que dá raiva - inclusive da beleza ageless de Cameron Diaz - mas ok pra um domingo à noite. e o segundo foi uma surpresa incrível.

ri até dizer chega - e tinha horas em que não sabia se o cinema inteiro estava rindo COMigo ou DE mim. ri de chorar, pra ser literal. tem a Sookie de Gilmore Girls num papel amazing de exagerado e a protagonista, Kristen Wiig, de quem eu nunca tinha ouvido falar, manda muito bem. é divertido, engraçado, bonito e leve. eu ficava olhando e pensava "não acaba, não acaba, não acaba". me arrisquei a falar pra uma amiga que é o Se Beber Não Case das meninas, mas não chega a tanto. é engraçadíssimo e delicisioso, mas não chega a ser how bizarre. vale a pena. demais. mas vá acompanhado.
(calma, tá quase acabando). depois disso, rolou uma tarde de greve dos bancários no cinema. o meu melhor amigo de curitiba (beijo, Eriquinho) tinha voltado da Itália (tá meu bem) e fomos num cinema alternativo que eu nunca vou, pra assistir a um filme italiano.
vou abstrair o fato de que em italiano ele chama Io Sono L'Amore (Eu sou o amor - nem precisa ser Andrea Bocelli pra descobrir né) e de que foi traduzido pro portuguese como Um sonho de amor. mas só vou abstrair porque o filme é um BAFO - foi a única palavra que eu Eric conseguimos falar por um bom tempo depois de rodar os créditos. só homem lindo, Luise tá passando bem, obrigada (beijo, Lu). acho que vou mudar meus atores preferidos. fora isso um figurino IMPECÁVEL, muitas Birkins pra lá e pra cá, Hermès mostrando que crise européia é o que mermo?. enfim. um roteiro lindo, todo focado em detalhes, que relembra muito o cinema italiano puro. tem crítico dizendo que o filme é a volta do cinema italiano - e eu assino embaixo. a música e o cenário também são um desbunde, imagine você se não. o trama, nem se fala. o que me deixou bastante chateada, no entanto, foi descobrir que o filme é de 2007 (oi?) e que só chegou agora no Brasil. TEMÇO, como diria Katylene.
o úlimo foi Pronta Para Amar, com a foooooofa da Kate Hudson e com o deuso do Gael Garcia Bernal (que faz par romântico com a Charlotte, em The Science of Sleep - adoro como meus preferidos se encontram nas telonas). o filme tem tudo de lindo e de triste. já avisei no facebook pra ir em sessão vazia porque chorei horrores (e o Eric, que tava comigo, de novo, também chorou, oi Eric!). a sinopse entrega a trama. eles se apaixonam mas ela tá com câncer. eu achei que eu tinha chorado horrores porque recentemente passei por uma situação com essa doença na família e a família inteira sofreu muito. mas depois de digerir o filme, ficou claro que é porque é lindo. tem o ritmo de filminho gostoso de Hollywood, mas o final surpreende porque é previsível, mas não pra um filme de Hollywood. inspirador e lindo. perfeito pra uma TPM - mhua.depois disso, estou meio sem dinheiro (jura?) e agradecendo porque amanhã é sexta e estréia um monte de filme novo - monte assim: que eu não vi e tô afim de ver, são três.
fora isso comprei um box da Audrey que pretendo devorar logo em breve (musa forever) e também comprei o Never Let Me Go que promete choro, también. portanto, que subam os créditos, por hoje, já escrevi demais.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Eureka do amendoim verde
dia desses eu tava comendo e me deu um "plim". ou o que minha mãe me ensinou a chamar de eureka!
eu tava colocando amendoim verde (aquele de boteco, com casca verdade de cebola e salva) num potinho e me lembrei da Tia Cida, dona do bar da frente da Unesp de Bauru, onde eu ia matar a aula e matar o calor.
que os politicamente corretos me perdoem mas sim, eu matava aula no boteco e ia correndo pra chamada quando alguém me ligava.
voltando. tia Cida era a pessoa mais pop da faculdade. todas as áreas iam pra lá. dos alternativos da faac aos meninos da engenharia. sempre tinha alguém. e pra gente, do turno da noite, é claro que tia Cida significava uma roda de conversa (quando não de pagode), cervejinha gelada e, às vezes, um pré balada.
acontece que toda vez que eu chegava na tia Cida eu só olhava, e ela me entendia. sabe gesto que você faz pra pedir cerveja? o meu era pra pedir amendoim verde. e ela entendia, lá do balcão. ela não deve saber meu nome até hoje, mas se eu chegar lá agora, ela vai saber que eu sou a menina do amendoim verde e do "segura ai, tia Cida, que a gente vai responder chamada e já volta pra te pagar."
mas toda essa introdução foi porque eu tava colocando amendoim verde no potinho e pensei (com essas palavras esdrúxulas): "ca-ra-ca. eu não despedi da tia Cida. pode ser que eu nunca mais volte a Bauru, pode ser que eu nunca mais veja a tia Cida, e eu não despedi da tia Cida".
e ai eu comecei a me lembrar de todo mundo pra quem eu não disse tchau, nem até logo.
e fora a tia Cida, tem muita gente pra quem eu gostaria de ter dado um até logo, e não rolou.
afinal de contas, a moça de cabelo vermelho curtinho da biblioteca provavelmente não tem facebook. e eu posso ter perdido a chance de agradecer todas as vezes que ela "esqueceu de expor" um livro novo só porque eu tava torcendo pra pegar primeiro.
ou então da tia da livraria da catina, que além de fazer encomenda de vários livros bizarros que eu pedia, patrocinou alguns eventos enquanto eu trabalhava no DAFAE.
tem o cara do departamento que no dia da entrega do meu tcc quase que pirou junto comigo e no dia da apresentação tava lá me desejando boa sorte antes deu entrar na salinha.
e tem também alguns dos professores e, por mais que você me diga pra deixar de preguiça, pegar o telefone no site do departamento e ligar, são pessoas das quais eu não me despedi.
quem eu não me despedi, também, foi o cobrador do ônibus Campus CTI do meio dia, que eu peguei durante todo primeiro ano, enquanto não tinha carro, pra ir pra aula de alemão, ao 12h45. no final do ano ele sabia o nome da minha cidade e o que eu tava indo fazer na unesp tão cedo. eu, sabia até o nome dos filhos.
mas não só de Bauru vivem as despedidas que não aconteceram. em cada lugar deixamos muito da gente, e às vezes nos esquecemos de como somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos.
foi nesse dia, do eureka do amendoim verde, que eu entendi de verdade - no fundo do coração - porque é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.
e dizer, sempre, isso pra cada uma delas.
eu tava colocando amendoim verde (aquele de boteco, com casca verdade de cebola e salva) num potinho e me lembrei da Tia Cida, dona do bar da frente da Unesp de Bauru, onde eu ia matar a aula e matar o calor.
que os politicamente corretos me perdoem mas sim, eu matava aula no boteco e ia correndo pra chamada quando alguém me ligava.
voltando. tia Cida era a pessoa mais pop da faculdade. todas as áreas iam pra lá. dos alternativos da faac aos meninos da engenharia. sempre tinha alguém. e pra gente, do turno da noite, é claro que tia Cida significava uma roda de conversa (quando não de pagode), cervejinha gelada e, às vezes, um pré balada.
acontece que toda vez que eu chegava na tia Cida eu só olhava, e ela me entendia. sabe gesto que você faz pra pedir cerveja? o meu era pra pedir amendoim verde. e ela entendia, lá do balcão. ela não deve saber meu nome até hoje, mas se eu chegar lá agora, ela vai saber que eu sou a menina do amendoim verde e do "segura ai, tia Cida, que a gente vai responder chamada e já volta pra te pagar."
mas toda essa introdução foi porque eu tava colocando amendoim verde no potinho e pensei (com essas palavras esdrúxulas): "ca-ra-ca. eu não despedi da tia Cida. pode ser que eu nunca mais volte a Bauru, pode ser que eu nunca mais veja a tia Cida, e eu não despedi da tia Cida".
e ai eu comecei a me lembrar de todo mundo pra quem eu não disse tchau, nem até logo.
e fora a tia Cida, tem muita gente pra quem eu gostaria de ter dado um até logo, e não rolou.
afinal de contas, a moça de cabelo vermelho curtinho da biblioteca provavelmente não tem facebook. e eu posso ter perdido a chance de agradecer todas as vezes que ela "esqueceu de expor" um livro novo só porque eu tava torcendo pra pegar primeiro.
ou então da tia da livraria da catina, que além de fazer encomenda de vários livros bizarros que eu pedia, patrocinou alguns eventos enquanto eu trabalhava no DAFAE.
tem o cara do departamento que no dia da entrega do meu tcc quase que pirou junto comigo e no dia da apresentação tava lá me desejando boa sorte antes deu entrar na salinha.
e tem também alguns dos professores e, por mais que você me diga pra deixar de preguiça, pegar o telefone no site do departamento e ligar, são pessoas das quais eu não me despedi.
quem eu não me despedi, também, foi o cobrador do ônibus Campus CTI do meio dia, que eu peguei durante todo primeiro ano, enquanto não tinha carro, pra ir pra aula de alemão, ao 12h45. no final do ano ele sabia o nome da minha cidade e o que eu tava indo fazer na unesp tão cedo. eu, sabia até o nome dos filhos.
mas não só de Bauru vivem as despedidas que não aconteceram. em cada lugar deixamos muito da gente, e às vezes nos esquecemos de como somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos.
foi nesse dia, do eureka do amendoim verde, que eu entendi de verdade - no fundo do coração - porque é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.
e dizer, sempre, isso pra cada uma delas.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Domingo no parque
adoro quando faz sol em Curitiba. acho que já virei curitibana e corro pro parque, pra tomar sol, ficar sentada na grama, fazendo picnic.
o que acho mais legal são as pessoas, que fazem o mesmo.
dessa vez lembrei de levar máquina e guardar algumas imagens bonitas.
não me perguntem porque me apego às crianças. acho que é instinto. :)




*Todas as imagens são de minha autoria com uma máquina ridícula de normal. quando eu fizer um curso e tiver uma máquina power, quem sabe as fotos também melhoram.
o que acho mais legal são as pessoas, que fazem o mesmo.
dessa vez lembrei de levar máquina e guardar algumas imagens bonitas.
não me perguntem porque me apego às crianças. acho que é instinto. :)




*Todas as imagens são de minha autoria com uma máquina ridícula de normal. quando eu fizer um curso e tiver uma máquina power, quem sabe as fotos também melhoram.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Be simple.
tem uma propaganda de sabão em pó em que aparece uma dona de casa falando assim "sabão pra mim tem que limpar e deixar um cheirinho. e só!".
e eu adoro essa fala dela.
pra mim tudo tinha que ser simples assim!
acho brega esse endeusamento que foi criado em volta de marcas da modinha.
e não me refiro especificamente à moda que, fora alguns exageros insensatos, têm muitas vezes o seu endeusamento baseado em dons artísticos e revoluncionários (Chanel e McQueen que o digam).
mas essa coisa toda de don't touch my moleskine que a galera impregnou: essa coisa toda de endeusar coisas.
acho bizarro endeusar a ponto de criar uma entidade. criar entidades para amar.
por isso que amei essa imagem. acho fantástico a maneira como podemos simplificar, sempre, as coisas.
e não se espante, é só uma imagem,
com só uma opinião,
explicitada só por uma menina,
terça-feira, 6 de setembro de 2011
tem essa história do meu vô que minha mãe conta.
eles moravam numa casa com eletricidade de um jeito diferente, movido a água (não sei explicar, eu sou da época do interruptor.).
tinha lá em cima a caixa d'água e pra desligar a luz tinha que puxar uma corda pra tampar a vazão de água.
eis que numa noite de temporal, na hora de puxar a cordinha, algum graveto deve ter enrosacado, porque a luz não apagou.
e lá foi o vô Lando morro acima, chuva abaixo, tirar o tal do gravetinho pra fechar a água e apagar a luz.
eu fico imaginando o vô Lando, alto e magro, subindo o morro lá da roça. fico imaginando ele pegando o gravetinho e, ao invés de xingar, rir.
rir porque aquilo era praticamente uma pegadinha da vida.
eu não sei se ele morreu de preguiça de subir o morro. eu não sei se ele foi xingando Deus e o mundo. eu não sei se ele riu ou quase chorou quando pegou o gravetinho.
mas eu imagino o vô assim. rindo.
e fazendo serra-serra-serrador comigo, no outro dia de manhã, na cadeira de balanço.
se eu não me lembro mesmo, deixa eu lembrar do jeito que eu acho que é.
eles moravam numa casa com eletricidade de um jeito diferente, movido a água (não sei explicar, eu sou da época do interruptor.).
tinha lá em cima a caixa d'água e pra desligar a luz tinha que puxar uma corda pra tampar a vazão de água.
eis que numa noite de temporal, na hora de puxar a cordinha, algum graveto deve ter enrosacado, porque a luz não apagou.
e lá foi o vô Lando morro acima, chuva abaixo, tirar o tal do gravetinho pra fechar a água e apagar a luz.
eu fico imaginando o vô Lando, alto e magro, subindo o morro lá da roça. fico imaginando ele pegando o gravetinho e, ao invés de xingar, rir.
rir porque aquilo era praticamente uma pegadinha da vida.
eu não sei se ele morreu de preguiça de subir o morro. eu não sei se ele foi xingando Deus e o mundo. eu não sei se ele riu ou quase chorou quando pegou o gravetinho.
mas eu imagino o vô assim. rindo.
e fazendo serra-serra-serrador comigo, no outro dia de manhã, na cadeira de balanço.
se eu não me lembro mesmo, deixa eu lembrar do jeito que eu acho que é.
7 de setembro
no último feriado li uma tirinha do PêCê que fazia um comparativo entre feriado na infância e feriado na idade adulta (me incomoda muito criança ter infância, adolescente ter adolescência e adulto ter... nada?): feriado na infância era "eba, mais tempo pra brincar"; e feriado na adultescência era "eba, mais tempo pra dormir".
amanhã é mais um feriado. eba, mais tempo pra dormir.
mas o feriado de 7 de setembro pra mim sempre foi diferente.
isso porque é aniversário de morte do meu avô materno, vô Lando, pros privilegiados.
só pra constar eu acho muito estranho essa parada toda de "aniversário de morte", como se fosse uma comemoração, uma festa. mas eu falo assim porque foi assim que aprendi a falar. sem por quê mesmo.
era um feriado diferente porque a gente sempre ia pra cidadezinha onde minha mãe e meus avós moraram, Espírito Santo do Dourado, MG. Mas antes, a gente passava em algum supermercado e comprava flores. E biscoitão - porque a minha tia Vandinha adorava biscoitão mineiro de Pouso Alegre, MG.
lá, a gente ia revendo um por um, e minha mãe sempre me explicava.
"esse é o irmão do vô lando, a cara dele né?" "ali é a tia tal, irmã de não sei quem, parente de fulano".
confesso que provavelmente não me lembro dos nomes - e não lembro mesmo. mas sei exatamente a localização dos túmulos no cemitério e a foto no epitáfio de cada um.
do lado do vô tem o tio Lando e sempre que a gente passava por lá minha mãe falava do tanto que o Murillo, meu irmão, parecia com o meu tio. "Não tem como negar."
Murillo é o único neto homem e fez a tarefa completa ao carregar em peso todos as características dos Francos. ele é o tio Lando escarrado.
a gente ficava por ali, olhando pras montanhas mais verdes do mundo e pro céu mais lindo e azul do mundo, de cima de um morro. eu ficava quietinha e ia um por um, apertando o olho pra rezar com todo o coração.
no túmulo do tio eu ficava muito triste, e sempre perguntava pra Deus por que eu não tinha conhecido - conhecido de viver. por que eu não tive tio homem.
no túmulo do vô eu tentava viver tudo que minha mãe falava que ele fazia comigo, tentava imaginar com o coração pra ver se a memória resolvia funcionar. mas eu só me frustrava: eu não lembro de nada.
acontece que eu gostava do feriado. era um feriado, de certa forma, em família. e eu esperava muito aquele momento do ano pra ir ver o meu avô. e tentar lembrar tudo o que eu não lembro.
a gente acendia vela na capela do caminho e colocava uma flor em cada ente querido que já tinha ido descansar.
acho que eu não sabia bem o que eu fazia, mas eu sabia bem o que eu queria fazer enquanto estava ali: viver meu avô, aquele me chamava de menor de todas e pra quem eu sussurrava, quietinha - com vergonha de alguém de ver - no túmulo, eu te amo, vô.

Em tempo, citação de um desses livros lindos que - benzadeus - escreveram pra gente passar o tempo:
"É preciso estar vivo para poder morrer. É preciso ter alma para aceitar perder."
Esmir Filho - Os Famosos e Os Duendes Da Morte.
amanhã é mais um feriado. eba, mais tempo pra dormir.
mas o feriado de 7 de setembro pra mim sempre foi diferente.
isso porque é aniversário de morte do meu avô materno, vô Lando, pros privilegiados.
só pra constar eu acho muito estranho essa parada toda de "aniversário de morte", como se fosse uma comemoração, uma festa. mas eu falo assim porque foi assim que aprendi a falar. sem por quê mesmo.
era um feriado diferente porque a gente sempre ia pra cidadezinha onde minha mãe e meus avós moraram, Espírito Santo do Dourado, MG. Mas antes, a gente passava em algum supermercado e comprava flores. E biscoitão - porque a minha tia Vandinha adorava biscoitão mineiro de Pouso Alegre, MG.
lá, a gente ia revendo um por um, e minha mãe sempre me explicava.
"esse é o irmão do vô lando, a cara dele né?" "ali é a tia tal, irmã de não sei quem, parente de fulano".
confesso que provavelmente não me lembro dos nomes - e não lembro mesmo. mas sei exatamente a localização dos túmulos no cemitério e a foto no epitáfio de cada um.
do lado do vô tem o tio Lando e sempre que a gente passava por lá minha mãe falava do tanto que o Murillo, meu irmão, parecia com o meu tio. "Não tem como negar."
Murillo é o único neto homem e fez a tarefa completa ao carregar em peso todos as características dos Francos. ele é o tio Lando escarrado.
a gente ficava por ali, olhando pras montanhas mais verdes do mundo e pro céu mais lindo e azul do mundo, de cima de um morro. eu ficava quietinha e ia um por um, apertando o olho pra rezar com todo o coração.
no túmulo do tio eu ficava muito triste, e sempre perguntava pra Deus por que eu não tinha conhecido - conhecido de viver. por que eu não tive tio homem.
no túmulo do vô eu tentava viver tudo que minha mãe falava que ele fazia comigo, tentava imaginar com o coração pra ver se a memória resolvia funcionar. mas eu só me frustrava: eu não lembro de nada.
acontece que eu gostava do feriado. era um feriado, de certa forma, em família. e eu esperava muito aquele momento do ano pra ir ver o meu avô. e tentar lembrar tudo o que eu não lembro.
a gente acendia vela na capela do caminho e colocava uma flor em cada ente querido que já tinha ido descansar.
acho que eu não sabia bem o que eu fazia, mas eu sabia bem o que eu queria fazer enquanto estava ali: viver meu avô, aquele me chamava de menor de todas e pra quem eu sussurrava, quietinha - com vergonha de alguém de ver - no túmulo, eu te amo, vô.

Em tempo, citação de um desses livros lindos que - benzadeus - escreveram pra gente passar o tempo:
"É preciso estar vivo para poder morrer. É preciso ter alma para aceitar perder."
Esmir Filho - Os Famosos e Os Duendes Da Morte.
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